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BLOG DO PALACIANO

Chegou a hora do sprint final de Bocalom

Foto: Reprodução/Web (site da Prefeitura de Rio Branco)

Faltam 31 dias para a eleição. Para qualquer candidato, é a entrada na fase em que campanha começa a valer mais do que pré-campanha, alianças e fotografias de convenção. Para Tião Bocalom, há um ingrediente a mais: historicamente, é justamente agora que ele costuma crescer. O ex-prefeito chega a setembro em terceiro lugar nas pesquisas, geralmente na faixa dos 15% aos 18%, distante de Alan Rick e Mailza Assis. Quem olha apenas essa fotografia pode concluir que a disputa pelo segundo turno já está encaminhada. A história eleitoral de Bocalom diz o contrário.

 

Em 2020, esse roteiro foi ainda mais impressionante. No Ibope divulgado em 16 de outubro, Bocalom tinha 16%, atrás de Minoru Kinpara, com 29%, e Socorro Neri, com 26%. No fim daquele mês, já aparecia com 21%. A poucos dias do primeiro turno, assumiu a liderança com 28%. Quando as urnas abriram, terminou com 49,58% dos votos válidos, faltando muito pouco para liquidar a eleição já no primeiro turno. Duas semanas depois, venceu Socorro com mais de 62%.

 

Quatro anos mais tarde, a história teve diferenças, mas repetiu uma característica. Bocalom entrou na campanha de 2024 enfrentando Marcus Alexandre numa eleição considerada apertada. Depois de muito tempo atrás nas pesquisas, no fim de agosto, os dois estavam praticamente empatados. Em 3 de setembro, pesquisa Data Control mostrava Bocalom com 41,6% e Marcus com 39,9%. Ao longo daquele mês, a vantagem começou a crescer. No fim de setembro, o mesmo instituto já apontava possibilidade de vitória no primeiro turno. Foi exatamente o que aconteceu: Bocalom terminou com 54,82% dos votos válidos.

 

As duas campanhas municipais mais recentes deixaram uma marca no seu jeito de fazer eleição. Bocalom parece render melhor quando a disputa ganha rua, o eleitor começa a prestar atenção e a conversa deixa de ser dominada apenas por pesquisas e articulações políticas. Não por acaso, Bocalom sempre demonstra pouca reverência aos levantamentos e costuma dizer que sua principal pesquisa é aquilo que encontra no contato com as pessoas.

 

É também aí que começa o verdadeiro teste de 2026. Desta vez, a eleição não termina nos limites de Rio Branco. Bocalom precisa levar para o interior uma força que construiu durante seis anos administrando a capital. Alan Rick percorre o interior há anos, enquanto Mailza carrega a estrutura do governo e um grande número de prefeitos. O sprint final de Bocalom terá de ser estadual.

 

Ainda assim, parece precipitado decretar que a eleição já se resumiu a Alan e Mailza. Um mês é muito tempo numa campanha, principalmente para um candidato cuja trajetória recente contém viradas justamente nesse período. A distância atual é relevante e não deve ser minimizada. Mas setembro já mostrou, duas vezes seguidas em Rio Branco, que Bocalom consegue transformar campanha em voto quando entra na reta decisiva.

 

Chegou, portanto, o momento em que sua candidatura precisa provar se esse comportamento eleitoral era uma característica das disputas municipais ou algo que ele consegue reproduzir numa eleição para governador. Se Bocalom tem mais uma arrancada guardada, ela precisa começar agora. A partir de hoje, já não há muito espaço para promessa de crescimento futuro. O futuro da campanha começou.

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