Em pouco mais de uma semana, o eleitor acreano viu circular fotografias bastante diferentes da disputa pelo governo. No dia 3 de agosto, a AtlasIntel colocou Mailza Assis numericamente à frente, com 35,2%, contra 33,1% de Alan Rick e 18,5% de Tião Bocalom. Uma semana depois, a Travessia mostrou Alan com 37%, Mailza com 29% e Bocalom com 13%. No dia seguinte, 11 de agosto, a Delta trouxe Alan com 38,17%, Mailza com 25,15% e Bocalom com 14,02%. Quem acompanha apenas os números divulgados nas manchetes pode ter a sensação de que a eleição muda completamente de uma semana para outra.
Bocalom ajuda a entender ainda melhor essa aparente confusão. No começo de julho, uma pesquisa Delta o colocou numericamente em segundo lugar, com 19,5%, contra 19,25% de Mailza. Como a diferença era de apenas 0,25 ponto percentual, os dois estavam tecnicamente empatados. Em 17 de julho, outra Delta mostrou praticamente a mesma situação, Mailza com 19,48% e Bocalom com 19,28%. Já em agosto, os levantamentos da AtlasIntel, Travessia e Delta passaram a colocá-lo em terceiro, com distâncias diferentes em relação aos dois primeiros. O candidato é o mesmo e a eleição também, o que muda é a fotografia feita por cada pesquisa.
Isso não quer dizer que algum instituto esteja necessariamente errado, pesquisa eleitoral trabalha com amostra, margem de erro, metodologia de coleta e critérios de ponderação. Um levantamento feito por telefone pode alcançar um perfil de eleitor diferente de outro realizado presencialmente ou pela internet. A forma de distribuir as entrevistas entre Rio Branco e o interior também interfere. Até o período da coleta precisa ser levado em conta, principalmente quando a campanha já está na rua e os candidatos passam a aparecer com muito mais frequência.
É exatamente por isso que pesquisa deve ser lida como pesquisa, e não como resultado antecipado da eleição. O problema é que campanhas e apoiadores raramente têm paciência para fazer essa leitura. A pesquisa boa costuma ser aquela em que o próprio candidato aparece melhor.
Bocalom, por exemplo, nunca deu muita bola para pesquisas. Desde a pré-campanha, costuma repetir que sua principal referência é aquilo que encontra nas ruas. Em fevereiro, quando comentava um levantamento que o colocava atrás de Mailza, afirmou que sua pesquisa era o que via diariamente no contato com os eleitores. É uma posição coerente com sua história eleitoral e com o estilo de campanha que sempre adotou, muito baseado em caminhada e contato direto.
O que os levantamentos disponíveis permitem afirmar com segurança é que Alan Rick ocupa hoje a primeira posição na maior parte das pesquisas recentes. A eleição oficial começou há poucos dias, o que recomenda cautela com qualquer leitura definitiva, ainda mais no Acre, onde campanhas anteriores já mostraram mudanças importantes durante o período eleitoral.
Pesquisa serve para medir o momento e acompanhar movimentos. A rua serve para testar a capacidade de mobilização e perceber o humor das pessoas. Nenhuma das duas deveria ser tratada como profecia. O mais sensato é observar as duas e esperar pela única pesquisa em que não existe margem de erro, a urna.













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