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BLOG DO PALACIANO

A estranha eleição para o Senado no Acre em que sobram vagas e faltam duplas

Foto: Reprodução

A eleição para o Senado no Acre neste ano está com uma configuração pouco comum. O eleitor terá dois votos, os partidos dispõem de espaço legal para apresentar mais de um nome e alguns palanques reúnem várias legendas. Mesmo assim, entre as candidaturas competitivas ao governo, quase todas decidiram concentrar sua força em apenas um candidato ao Senado. A exceção mais clara é Alan Rick, que fechou com Mara Rocha e Sérgio Petecão.

 

Na quinta-feira, 30 de julho, Tião Bocalom anunciou Eduardo Velloso como seu candidato ao Senado. O segundo voto ficou em aberto. A decisão chama atenção porque, antes de construir uma chapa própria, Bocalom dizia que votaria em Gladson Cameli e Marcio Bittar, dois nomes ligados ao grupo de Mailza Assis. Com Velloso, passou a ter um senador diretamente associado à sua campanha, mas evitou preencher a segunda vaga com alguém que pudesse limitar seus acordos ou afastar eleitores de outros grupos.

 

Na chapa de Mailza, o desenho original prevê Gladson e Bittar. Uma dupla eleitoralmente forte, principalmente porque o ex-governador tem liderado todas as pesquisas para o Senado até aqui. No entanto, a condenação de Gladson pelo STJ, com a consequente inelegibilidade, deixou essa composição sob dúvida. Bittar, por sua vez, passou boa parte da pré-campanha discutindo em qual palanque ficaria, até bater o martelo pelo apoia a Mailza.

 

Na esquerda, Thor Dantas oficializou Jorge Viana como seu candidato ao Senado. A federação formada por PSOL e Rede pretendia lançar Inácio Moreira e apoiar Jorge no segundo voto, mas houve pressão para que Inácio desistisse. A lógica é fácil de compreender. Como Jorge aparece competitivo e o campo progressista é minoritário no Acre, dividir a propaganda e os votos entre dois nomes poderia prejudicar justamente aquele que possui melhores condições de eleição. A escolha por uma candidatura única também permite que Jorge procure o segundo voto fora da esquerda, estratégia que ele já vinha adotando durante a pré-campanha.

 

Alan Rick fez o caminho inverso. Mara Rocha está ligada ao seu projeto desde o início, enquanto Petecão chegou depois, trazendo o PSD, prefeitos e uma rede política espalhada pelo interior. Os dois precisam de um candidato competitivo ao governo, e Alan precisa das estruturas que ambos carregam. A aliança comporta ainda a candidatura de Júnior Feitosa, do Democracia Cristã, embora Mara e Petecão concentrem a disputa eleitoral mais relevante dentro do grupo.

 

O que se vê no Acre é o enfraquecimento da antiga ideia de chapa fechada. Durante muito tempo, o candidato ao governo apresentava seus dois senadores e pedia ao eleitor que repetisse aquela composição na urna. Hoje, o segundo voto virou instrumento de negociação. Um candidato pode apoiar um nome oficialmente e deixar o outro espaço livre para conversar com grupos que estão em palanques diferentes. Evitar uma dupla também ajuda a não criar disputa interna por recursos, agenda e visibilidade.

 

Há uma razão eleitoral para essa cautela. Candidatos ao Senado com força própria não se comportam como simples integrantes de uma chapa. Eles possuem prefeitos, alianças municipais, interesses partidários e estratégias próprias. Colocar dois nomes competitivos no mesmo palanque pode somar, mas também pode criar concorrência dentro da própria campanha. Cada um procura aparecer mais, garantir apoios exclusivos e convencer o eleitor de que seu voto deve vir primeiro.

 

A eleição de 2026 mostra que os dois votos ao Senado já não obedecem automaticamente à escolha para governador. Bocalom tem Velloso e deve liberar o segundo. Thor concentra em Jorge. Mailza sustenta uma dupla ameaçada pela situação jurídica de Gladson. Alan reúne dois nomes fortes porque sua aliança foi construída dessa forma.

 

No fim, a maioria preferiu garantir um candidato e negociar o restante durante a campanha. Há duas vagas, mas poucos grupos demonstraram força ou interesse para ocupar as duas por inteiro.

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