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BLOG DO PALACIANO

O MDB vale mais do que uma vaga?

Foto: Reprodução

Poucas movimentações da pré-campanha no Acre chamaram tanto a atenção nos bastidores quanto a possibilidade de o MDB integrar o palanque de Alan Rick (Republicanos). A definição ainda não saiu, mas essa hipótese ganha cada vez mais força. O motivo de tanto barulho é que há poucos meses o grupo governista trabalhou para fortalecer justamente o partido que agora avalia seguir por outro caminho.

 

Na montagem das chapas proporcionais deste ano, o MDB tinha dificuldades para formar uma nominata competitiva para deputado federal. Foi nesse momento que começaram as articulações envolvendo nomes ligados à base do governo. Antônia Lúcia deixou o Republicanos, partido de Alan Rick, e filiou-se ao MDB. Pedro Longo saiu do PDT e fez o mesmo movimento. Ney Amorim e Minoru Kinpara também desembarcaram na legenda. A estratégia não foi velada, foi um movimento pra todo mundo ver. Um MDB fortalecido interessava ao Palácio Rio Branco porque aumentava as chances de uma aliança sólida na disputa pelo governo.

 

O gesto foi além das chapas proporcionais. O PP também entregou ao MDB a prerrogativa de indicar o candidato a vice na chapa de Mailza Assis. A ex-deputada Jéssica Sales chegou a ser tratada como nome natural para a vaga, mas as conversas não avançaram por divergências internas que nunca vieram a público. Hoje, ela aparece nos bastidores como uma das cotadas para compor justamente a chapa de Alan Rick. Mesmo assim, o grupo de Mailza continua afirmando que a indicação do vice permanece à disposição do MDB.

 

A política, porém, não costuma respeitar planejamentos por muito tempo. Os partidos observam pesquisas, acompanham o ambiente político, conversam com prefeitos, deputados e lideranças municipais. Quando percebem mudanças no cenário, começam a reavaliar decisões que, até pouco tempo antes, pareciam definitivas. E é aí que entra Alan Rick.

 

As conversas entre o senador e dirigentes do MDB não significam, por si só, que a aliança será fechada. Mas revelam que o partido está disposto a ouvir propostas e a medir as possibilidades antes de tomar uma decisão. Faz parte da lógica partidária. Um partido do tamanho do MDB dificilmente abre mão de participar das discussões centrais de uma eleição estadual.

 

Também seria um erro enxergar essa aproximação apenas como uma questão de gratidão ou ingratidão. O PP ajudou a fortalecer o MDB esperando construir um projeto comum. O MDB, por sua vez, é que escolhe pra onde vai, onde acredita que terá mais espaço político depois da eleição. São raciocínios diferentes, mas perfeitamente compreensíveis dentro da mesma disputa.

 

Há uma característica da política brasileira que ajuda a entender esse tipo de movimento. Partidos costumam ser menos fiéis às alianças do que às perspectivas de poder. Isso não acontece apenas no Acre. O MDB construiu sua história transitando entre governos de diferentes orientações e quase sempre preservou uma margem de autonomia para negociar. É um comportamento conhecido da legenda e dificilmente surpreende quem acompanha sua trajetória nacional.

 

Esse eventual desembarque do MDB não seria somente uma mudança na composição dos palanques. Seria também um revés para um grupo que trabalhou diretamente para fortalecer a legenda durante a montagem das chapas proporcionais. Na política, esse tipo de situação costuma deixar marcas duradouras.

 

Mas nada disso significa que a decisão esteja tomada. As convenções ainda vão acontecer e a política acreana tem um histórico de acordos refeitos na última hora. Algumas situações falam mais sobre o momento político do que sobre o resultado final e esta é uma delas. Ela mostra que a sucessão estadual entrou numa fase em que os partidos passaram a olhar menos para as alianças construídas meses atrás e mais para as possibilidades abertas pela disputa que está pela frente.

 

Alianças são feitas para vencer eleições. Quando surge a percepção de que outro caminho pode oferecer melhores condições, os compromissos começam a ser reavaliados. É exatamente esse processo que o Acre acompanha agora.

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