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BLOG DO PALACIANO

Nem toda estratégia salva candidato ruim quando falta conexão

Foto: IA

Existe uma ideia muito forte no marketing político de que tudo pode ser resolvido com estratégia. Que, com o método certo, qualquer candidato pode virar competitivo. Na prática, não funciona bem assim.

 

Estratégia ajuda, claro. Organiza, dá prumo e evita erro bobo. Mas ela não cria aquilo que não existe. No máximo, potencializa.

 

A política não é só técnica. Ela é, antes de tudo, relação. É gente olhando para gente. Quando não há conexão, quando o candidato não consegue gerar identificação, a comunicação trava. Pode ter equipe boa, roteiro bem feito, investimento alto. Ainda assim, não anda.

 

Max Weber falava disso ao tratar do poder carismático. Não é um poder que vem do cargo ou da lei. Vem do reconhecimento. As pessoas enxergam algo naquele líder. Confiam e seguem. E isso não nasce de planilha.

 

Carisma não se fabrica. Dá pra ajustar, melhorar. Mas não dá pra inventar do zero. Quando tentam fazer isso, o resultado costuma ser artificial. E o eleitor percebe rápido quando tem algo fora do lugar. Não dá pra tentar vender uma Coca-Cola se o produto “em mãos” é um Ki-Suco de uva.

 

É parecido com o que acontece em sala de aula. Todo professor estudou didática. Tem formação, conhece o conteúdo. Mesmo assim, alguns não conseguem ensinar. Falam, explicam, repetem, mas não chega. Já outros prendem a atenção, fazem o assunto fluir. Não é só técnica. Tem algo ali que não se ensina.

 

Na política é igual. Tem candidato que segue tudo certo no papel e não decola. E tem quem, mesmo com limitações, consegue crescer porque se comunica de forma natural. Não força. Não parece ensaiado o tempo todo.

 

A publicidade política sabe disso. Por isso, campanhas que funcionam de verdade não inventam personagem. Trabalham em cima do que o candidato já é. Ajustam a linguagem e organizam a mensagem, mas respeitam a essência.

 

Quando tentam transformar alguém em algo que ele não é, a coisa desanda. Fica travado, pouco crível. Aí entra aquela sensação de que “não desce”. E não desce mesmo.

 

Também não dá pra romantizar o outro lado. Carisma sozinho não sustenta uma campanha inteira. Sem organização e sem leitura de cenário o candidato se perde no meio do caminho. Pode até começar bem, mas não segura.

 

No fim, não existe milagre. Estratégia não transforma qualquer um em fenômeno. E carisma, sem direção, também não resolve. Quando os dois se encontram, aí sim a campanha ganha força.

 

Fora disso, é só tentativa de vender algo que não convence. E o eleitor costuma perceber.

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