A Expoacre, além de movimentar a economia e o agro, sempre foi também um grande ponto de encontro da política acreana. Durante alguns dias, quase todo mundo passa pelo mesmo lugar: governador, ex-governadores, candidatos, deputados, prefeitos, vereadores e lideranças que normalmente ocupam lados diferentes da disputa. Neste ano, com a campanha já tomando conta das agendas, esses encontros ganharam outro significado. Adversários têm se cumprimentado, conversado e trocado algumas palavras sem transformar essa aproximação em crise.
Uma imagem publicada por Gladson Cameli em seus stories ajuda a resumir esse ambiente. Nela, o ex-governador e candidato ao Senado aparece cumprimentando Virgílio Viana, candidato a deputado federal e filho do ex-governador Tião Viana. São dois personagens ligados a grupos que disputaram o poder no Acre durante anos e que continuam em lados diferentes nesta eleição. Ainda assim, o encontro coube num aperto de mão.
Pode parecer pouca coisa, mas basta olhar para o ambiente político nacional para perceber que não é tão banal assim. Em boa parte do país, adversários passaram a ser tratados como inimigos pessoais. A convivência entre direita e esquerda ficou cada vez mais difícil, e até gestos comuns de civilidade passaram a ser interpretados como concessão ou traição. A política virou, em muitos espaços, uma extensão permanente da guerra cultural.
No Acre, apesar de toda a dureza das disputas eleitorais, ainda existe algum espaço para uma relação diferente. Não significa que os conflitos tenham desaparecido ou que as diferenças entre os grupos sejam pequenas. Elas continuam profundas. Mas a política daqui preserva algo que o ambiente nacional vem perdendo, que é a possibilidade de discordar e, ainda assim, manter algum grau de convivência.
Há uma razão para isso. O Acre é pequeno, as relações políticas se cruzam o tempo inteiro e as pessoas dificilmente desaparecem umas da vida das outras depois da eleição. Quem hoje está na oposição pode precisar dialogar amanhã para resolver um problema institucional. Famílias se conhecem, antigos adversários voltam a dividir espaços e alianças mudam com uma frequência que desaconselha transformar toda divergência em inimizade pessoal.
Ainda assim, esse comportamento não precisa ser romantizado. A política acreana também é dura, tem ressentimentos antigos e produz ataques pesados quando a campanha esquenta. Mas existe uma diferença entre confronto político e incapacidade de convivência. O primeiro faz parte da democracia. O segundo vai empobrecendo o próprio debate público.
Talvez a Expoacre esteja apenas deixando mais visível algo que deveria ser normal. Gladson e Virgílio não precisam concordar politicamente para apertar as mãos. Mailza, Alan, Bocalom, Jorge Viana e qualquer outro adversário podem dividir o mesmo espaço sem fingir que as diferenças desapareceram. Republicanismo começa por coisas muito simples. Uma delas é reconhecer que quem está do outro lado continua sendo adversário, não inimigo.















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