Tião Bocalom começou a campanha de 2026 do jeito que gosta, na rua. A carreata deste domingo (16) reuniu uma longa fila de carros pelas avenidas de Rio Branco e serviu para mostrar que existe militância e capacidade de mobilização em torno da candidatura. Carreata não ganha eleição, evidentemente, mas também não deve ser ignorada quando o candidato em questão tem um histórico bastante conhecido de crescer durante a campanha.
Bocalom aparece hoje em terceiro lugar no levantamento mais recente do Real Time Big Data, com 17%, atrás de Alan Rick e Mailza Assis. Em outra pesquisa, divulgada poucos dias antes, estava tecnicamente empatado com Mailza na disputa pela segunda colocação. Ainda assim, começou a surgir nos bastidores aquela velha certeza antecipada de que sua candidatura perdeu força e dificilmente chegará ao segundo turno. É uma conclusão apressada para agosto.
A trajetória eleitoral de Bocalom recomenda cuidado. Em 2010, disputou o governo contra Tião Viana e terminou com 49,18% dos votos válidos, perdendo por pouco mais de 4 mil votos para uma Frente Popular que reunia praticamente toda a estrutura política do estado. O resultado foi ainda mais surpreendente porque uma pesquisa Ibope divulgada na véspera colocava Tião Viana 13 pontos à frente. Dois anos depois, Bocalom chegou ao segundo turno da eleição para prefeito de Rio Branco e perdeu para Marcus Alexandre por 50,77% a 49,23%. Quando consegue entrar na campanha competitivo, tem histórico de terminar melhor do que começou.
O caso mais recente foi 2024. No primeiro dia da campanha municipal, uma pesquisa Delta divulgada pelo ac24horas mostrava Marcus Alexandre com 42% e Bocalom com 34%. No início de setembro, Bocalom já aparecia numericamente à frente em levantamento do Data Control. No fim daquele mês, o mesmo instituto o colocava acima dos 50% dos votos válidos. A urna confirmou o movimento: 54,82% e reeleição no primeiro turno. Quem tivesse encerrado aquela eleição em agosto teria errado bastante.
Em 2020 aconteceu algo parecido sob condições políticas duras. Bocalom enfrentava Socorro Neri, candidata à reeleição, com apoio do governador Gladson Cameli e de boa parte da estrutura estadual. Terminou o primeiro turno com 49,58%, a poucos décimos de vencer sem precisar voltar às urnas, e no segundo chegou a 62,93%. Foi provavelmente a demonstração mais clara de uma característica que acompanha suas campanhas: Bocalom costuma funcionar melhor quando a eleição deixa os gabinetes, entra nas ruas e passa a mobilizar seu eleitorado.
Isso não significa que 2026 repetirá 2010, 2020 ou 2024. A disputa estadual é outra, Alan Rick lidera os levantamentos e Mailza dispõe de uma estrutura política muito maior. Além disso, seu desempenho fora de Rio Branco será decisivo. A força que o levou a duas vitórias consecutivas na capital precisa agora ser convertida em voto nos municípios onde seu nome não possui a mesma ligação construída ao longo dos últimos seis anos.
Mas uma coisa é olhar para os números e reconhecer que Bocalom começa atrás. Outra bem diferente é transformá-los numa sentença antes de a campanha completar uma semana. Sua história eleitoral mostra derrotas, vitórias e campanhas em que cresceu quando muita gente já havia feito as contas sem ele. A carreata de domingo não é um veredito de que haverá uma nova virada, mas serve como um lembrete para quem tem pressa em decretar o fim da disputa: Bocalom já foi subestimado antes.















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