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BLOG DO PALACIANO

Flávio Bolsonaro entre Mailza e Alan Rick: afinal, quem apoia quem?

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A última quarta-feira (7) produziu uma situação curiosa na política acreana. Pela manhã, Mailza Assis apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro, em Brasília, reafirmando seu apoio à candidatura presidencial do PL. À tarde, Alan Rick recebeu do próprio Flávio um pedido explícito de votos para governador. Bastaram algumas horas para que as duas campanhas passassem a divulgar imagens e declarações do presidenciável.

 

Mailza tem um argumento forte nessa disputa, o PL integra oficialmente sua coligação no Acre. Além disso, a governadora declarou apoio a Flávio desde o primeiro turno e recebeu dele um agradecimento público durante o encontro em Brasília. É uma relação política que antecede a atual controvérsia.

 

Alan Rick, por sua vez, tem algo diferente. Durante o anúncio de apoio do Republicanos à candidatura presidencial, Flávio gravou um vídeo em que pediu votos para o senador: “Lá no Acre, Alan Rick 10 também pra governador. Tamo junto”. Não foi uma declaração genérica de amizade, mas um pedido direto de voto.

 

É aí que a guerra de narrativas ganha força. Uma coisa é apoiar Flávio Bolsonaro. Outra, bem diferente, é receber dele uma manifestação de apoio. Mailza tem o partido do presidenciável em sua aliança. Alan tem o vídeo com o pedido de votos. Os dois fatos são verdadeiros, embora as peças de comunicação de cada campanha naturalmente deem destaque à parte que lhes interessa.

 

A disputa não acontece por acaso. Flávio recebeu mais de 64% dos votos válidos no Acre no primeiro turno presidencial. É uma votação que ajuda a explicar o interesse das duas candidaturas estaduais em associar suas imagens à dele. Mas há um detalhe que frequentemente desaparece dessa discussão, os eleitores de Flávio não formam um bloco uniforme quando o assunto é a eleição para governador.

 

O episódio também expõe uma característica da política brasileira, onde alianças partidárias nem sempre acompanham as relações pessoais. Flávio pode ter seu partido na coligação de Mailza e, ao mesmo tempo, declarar apoio a Alan. Essa combinação pode causar desconforto entre aliados, mas não altera os registros eleitorais nem apaga o conteúdo do vídeo.

 

No fim das contas, a pergunta sobre quem tem o apoio de Flávio Bolsonaro exige uma resposta menos conveniente para as campanhas do que suas respectivas publicações sugerem. Mailza tem a aliança formal com o PL. Alan recebeu o pedido público de votos do presidenciável. O restante é a disputa para convencer o eleitor de que um desses fatos deve pesar mais que o outro.

 

Cada campanha tem uma parte da fotografia e tenta apresentá-la como se fosse a imagem inteira. Com a escolha, o eleitor.

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