Questionado sobre como seria a política econômica de um eventual Lula 4, o ministro Dario Durigan foi enfático ao apontar que “não existe cavalo de pau na economia”.
“É um organismo que tem que ser tratado de maneira responsável. Desde 2024 as contas estão equilibradas. Não chegamos no fim do processo. Precisamos ter resultado positivo? Sim, mas de maneira que não mate o organismo como um todo”, declarou em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8).
Durigan questionou o corte de centenas de bilhões de reais que a equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) sinaliza que deve ocorrer já em 2027 caso ele conquiste o Planalto.
“Ninguém entendeu. Diz que não vai prejudicar os mais pobres, mas basta olhar o modelo no qual Flávio se inspira, que é o do [presidente da Argentina, Javier] Milei. Que trata com ansiedade. Não adianta alta dosagem sobre endividamento, e não olhar para crescimento e emprego”, argumentou o ministro.
O atual chefe da economia de Lula comparou reiteradamente a promessa de ajuste fiscal do filho de Jair Bolsonaro (PL) com um “pastel de vento” ou um “tiro no futuro”.
Ademais, defendeu que mexer com o prosseguimento da reforma tributária – como defende Flávio – seria um retrocesso que deixaria o país com um dos piores sistemas de tributação do mundo.
Confiança na política econômica do governo
Questionado sobre a confiança depositada sobre a gestão petista em relação à economia, Durigan indicou ter uma boa relação com os atores do mercado e da política, ressaltando estar “sempre aberto ao diálogo”.
“Não é isso que a gente vê do outro lado. Importante é fazer alertas e colocar pé no chão. […] Percepção do mercado está sempre em jogo, em disputa. Mas vai procurar previsibilidade na família Bolsonaro? É nisso que estamos colocando as fichas? Me parece incongruente”, defendeu o ministro.
Apesar de ter enfrentado turbulências e embates no Congresso Nacional, Durigan ressaltou que, apesar de não ter “maioria tranquila” para aprovação das pautas, o governo sempre conseguiu negociar com os parlamentares.
Já sobre o apoio interno no Partido dos Trabalhadores, o chefe da equipe econômica indicou que as dúvidas são “liquidadas” quando se considera que o plano de governo para um eventual Lula 4 contempla a manutenção e aprimoramento do arcabouço fiscal.

















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