As importações de gasolina pelo Brasil deverão saltar mais de 170% em abril em relação ao mesmo período do ano passado, para 309 milhões de litros, com empresas do setor buscando garantir o produto para atender um mercado aquecido, avaliou nesta sexta-feira (24) a consultoria Datagro.
A projeção, feita a pedido da Reuters com base nas importações contabilizadas e na programação de navios, aponta ainda um recuo de 7,9% na comparação com o mês passado, quando os volumes foram elevados.
Em março, os desembarques de gasolina importada no país tinham aumentado 193,8%, somando 335,6 milhões de litros, elevando o total do primeiro trimestre para mais de 1 bilhão de litros, alta de 66,2% na comparação anual.
“Ultimamente, o consumo de gasolina continuou mais aquecido. Provavelmente, o aumento das importações, pelas distribuidoras, é para repor estoque ou atender essa demanda atual, que segue firme”, afirmou o analista da Datagro Bruno Wanderley de Freitas.
De acordo com a Datagro, as importações de gasolina também foram favorecidas pela oferta de derivado russo, após os Estados Unidos terem flexibilizado sanções diante do conflito no Irã. Quase 60% da gasolina importada veio da Rússia em março, segundo dados de um relatório.
Para os próximos meses, contudo, as importações de gasolina tendem a perder ritmo, uma vez que oferta de etanol deve crescer à medida que o Brasil amplia o suprimento com uma produção recorde esperada para a temporada 2026/27.
“A tendência é que o Brasil diminua a importação de gasolina nos próximos meses, dado o início da safra no centro-sul do Brasil e, consequentemente, a queda do preço”, afirmou.
Os preços de etanol nas usinas do Estado de São Paulo tiveram queda de mais de 7% na semana passada em relação à semana anterior, segundo levantamento do Cepea.
“Essa queda do preço na bomba será mais sentida a partir de maio ou junho”, completou Freitas.
Diesel
Já as importações de diesel pelo Brasil deverão fechar o mês em 1,22 bilhão de litros, alta de 19,4% em relação a março, mas queda de 14,8% na comparação anual, segundo dados da Datagro.
A queda anual acontece em período em que a Petrobras, principal supridora nacional, já disse estar mantendo elevada a produção em suas refinarias, buscando minimizar as importações do combustível em abril e maio em meio à disparada nos preços no mercado internacional por conta da guerra no Irã.
Paralelamente, nesta sexta-feira, outra consultoria, a StoneX, indicou que agora a expectativa é de que as importações de diesel pelo Brasil este ano caiam 0,6% em 2026 em relação a 2025, para 17,2 bilhões de litros, estimou o analista Bruno Cordeiro.
“A produção nacional de diesel A ganhou força no primeiro trimestre, com alta de 4,5%, impulsionada principalmente em março, como resultado dos esforços das refinarias para ampliar a oferta diante das incertezas globais”, segundo relatório da StoneX.
Além da maior produção de diesel local, a StoneX citou ainda um aumento esperado de 7,2% na produção de biodiesel do Brasil em 2026 em relação ao ano passado, para 10,4 bilhões de litros — o país elevou em agosto de 2025 a mistura no combustível fóssil de 14% para 15%.
Segundo o lineup de abril, a Rússia também se mantém como principal fornecedora de diesel ao Brasil, com 936,7 milhões de litros de diesel (76,6% do total), além de 160,9 milhões de litros de gasolina russa, segundo levantamento da Datagro.
“A retomada da Rússia como fornecedor — especialmente de diesel — já vinha sendo observada desde janeiro, impulsionada por maior competitividade frente a outros mercados… e ganhou força na segunda quinzena de março com a suspensão temporária das sanções norte-americanas”, disse a Datagro.
Mais recentemente, a extensão dessas isenções, até 16 de maio, deverá sustentar esse fluxo no curto prazo, apesar de os russos também enfrentarem riscos logísticos, por conta de ataques ucranianos, observou a consultoria.















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