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Gleisi aciona Câmara contra assessor de Trump por ofender brasileiras

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann • Foto: Reprodução/CanalGov

Deputada federal e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR) apresentou, nesta segunda-feira (27/4), dois requerimentos à Câmara dos Deputados contra Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após declarações ofensivas contra mulheres brasileiras.

 

Gleisi protocolou um projeto de lei para declará-lo “persona non grata” em todo o território nacional e um projeto de resolução com o mesmo objetivo no âmbito da Câmara.

 

Segundo a equipe da parlamentar, o projeto de lei prevê que o Poder Executivo adote providências para “impedir o ingresso, a permanência ou o exercício de atividade oficial de Zampolli no Brasil, com base na soberania nacional, na dignidade da pessoa humana, na igualdade e na Lei de Migração”.

 

Já o projeto de resolução expressa a posição institucional da Câmara, manifesta repúdio às declarações e recomenda ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) a adoção de medidas diplomáticas cabíveis.

 

Para Gleisi, Zampolli não é bem-vindo no país, e o Brasil precisa “reagir com firmeza a qualquer agente estrangeiro que insulte o povo brasileiro”.

 

“As mulheres brasileiras não serão tratadas com desprezo por aliado de Trump, representante estrangeiro ou qualquer pessoa que ache que pode humilhar o Brasil impunemente. Relação diplomática exige respeito, reciprocidade e soberania”, afirmou.

 

No sábado (25/4), o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal, Nelsinho Trad (PSD-MS), informou que vai propor um requerimento para que o colegiado torne Zampolli “persona non grata” no Brasil. Além de propor a adoção do título, Trad também solicitará retratação com pedido de desculpas.

 

O que aconteceu

 

Em entrevista à emissora italiana Rai 3, o funcionário de Trump declarou que “mulheres brasileiras são programadas para causar problemas”.

 

Em outro momento da entrevista, acreditando não estar sendo gravado, Zampolli fez novas ofensas: “É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, eu estava com ela, transava com ela. Depois ela também ficou louca”, disse. Ele se referia à ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro.

 

Amanda acusa Zampolli de violência doméstica, o que ele nega.

 

“As mesmas fotos que ela te mandou, ela mandou para o mundo todo. Onde estavam os hematomas? Nas pernas. Ela era kickboxer. Ela tinha hematomas nas pernas e nos braços. Eu nunca toquei em uma mulher. Depois de vinte anos, será que estávamos nos estuprando? Talvez, psicologicamente”, disse ele na entrevista à TV italiana.

 

Além da acusação contra Zampolli, que já foi empresário do setor de agenciamento de modelos, Amanda já se declarou publicamente contrária ao presidente dos EUA e esposa, a primeira-dama Melania Trump, e disse que “vai derrubar o sistema corrupto” deles, numa referência ao caso Epstein.

 

Governo repudia declaração

 

Em nota, o Ministério das Mulheres afirmou que as declarações reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres brasileiras, configurando uma afronta à dignidade e ao respeito.

 

“A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, diz o comunicado.

 

A primeira-dama Janja Lula da Silva também criticou as falas de Zampolli. “Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos, e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos”, defendeu ela.

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