O advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçou a preparação para enfrentar temas que devem surgir durante sua sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, na quarta-feira (29).
A resistência do núcleo mais alinhado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está consolidada. A estratégia do Planalto, então, é deixar de lado as articulações em bloco e colocar suas principais liderança para avançar com conversas individuais.
Essa articulação tem sido conduzida principalmente pelos líderes no Senado, os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, não deve participar diretamente nesta reta final, embora mantenha conversas frequentes com a cúpula do Senado.
Para reforçar a articulação, o governo também mobilizou ministros. Wellington Dias (Desenvolvimento Social), por exemplo, vai deixar a Esplanada para ajudar na votação de Messias no Senado. Ele deve se afastar do governo na terça-feira (28), véspera da sabatina.
O senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), é outro que foi convocado a atuar no front, assim como outros integrantes da Esplanada que atuam junto a governadores para fazer ponte com senadores que sinalizam dúvidas.
Resistência da oposição
Senadores da oposição, como Rogério Marinho (PL-RN), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Jorge Seif (PL-SC), Marcos Rogério (PL-RO) e Izalci Lucas (PL-DF), se mobilizam para evitar a aprovação da indicação feita pelo presidente Lula.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), por exemplo, já indicou voto aberto contra a indicação de Jorge Messias. Dando o tom que os parlamentares da oposição vão adotar na sabatina, Girão justificou que pautas de costumes serão defendidas pelos senadores.
“Absolutamente nada contra a pessoa dele, mas tenho muito receio de que a atuação, que me parece militância ideológica, com direito à censura, perseguição e afronta aos valores da vida, do AGU se repita em uma eventual aprovação dele para ser ministro da Suprema Corte”.
Embates à parte, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirma que a sabatina de Jorge Messias para a vaga no STF acontecerá em um “ambiente sereno”.
“Apesar de ter posição política contrária, eles (parlamentares de oposição) sabem que essa é uma prerrogativa exclusiva do presidente e a nossa é de avaliar”, disse à CNN.
Voto a voto
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o STF (Supremo Tribunal Federal) em novembro do ano passado, Messias só teve a indicação formal enviada ao Senado quase cinco meses depois, no início de abril.
A demora chegou a ser atribuída ao receio de revés. Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam, no entanto, que o período em “banho-maria” ajudou a reduzir resistências.
Segundo aliados, Messias foi recebido ao longo desses meses por ao menos 76 senadores, o que representa mais de 90% da Casa. Apenas cinco parlamentares teriam se recusado a encontrá-lo, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A avaliação no Planalto é de que Alcolumbre não atua de forma contrária ao nome de Messias, embora aliados do senador adotem cautela e evitem declarações públicas sobre a indicação de Lula.
Para ser aprovado, Messias precisa do apoio da maioria absoluta da Casa, ou seja, ao menos 41 votos. Aliados estimam um placar entre 48 e 52 votos favoráveis. Já a oposição avalia um cenário menos confortável e projeta que o indicado não alcançaria 35 votos.















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