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Lula é aconselhado a evitar críticas a Ciro Nogueira em discursos

O presidente Luiz inácio Lula da Silva (PT) • Foto: Ricardo Stuckert/PR

Integrantes do grupo de pré-campanha avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve evitar publicamente ataques ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), após a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga crimes relacionados ao Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

 

À CNN, interlocutores do presidente confirmaram que a orientação é deixar que o avanço das investigações pela Polícia Federal conduza o desgaste político do ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) e outros próceres do centrão, sem trazer o assunto ao eixo central de discursos do presidente.

 

A avaliação no entorno de Lula é de que o caso já produz impactos suficientes sobre setores da oposição. Auxiliares entendem que o andamento das apurações deve consolidar, diante da opinião pública, a percepção de que o governo federal não tem relação com o escândalo.

 

A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, com Ciro Nogueira como alvo de buscas sob suspeita de atuar em favor de interesses ligados ao Master no Congresso Nacional. A investigação apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

Ao ser perguntado pela reportagem da CNN Brasil sobre a operação, ainda em viagem aos Estados Unidos, após o encontro com o presidente americano Donald Trump, Lula tangenciou o assunto e respondeu esperar que “todos sejam inocentes”.

 

“Você percebe que é muito difícil eu falar de uma coisa que eu estou aqui em Washington e aconteceu no Brasil”, disse Lula.

 

Nos bastidores, porém, aliados do presidente reconhecem preocupação com possíveis desdobramentos do caso sobre setores próximos ao governo. Embora o Planalto sustente oficialmente que não há ligação de governistas com o escândalo do Master, integrantes da oposição têm explorado supostas conexões entre Daniel Vorcaro e figuras do PT da Bahia.

 

O nome do ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo no Senado, senador Jacques Wagner (PT-BA) aparecem como elos entre o governo e o ex-banqueiro.

 

A conexão dos petistas com Master teria se dado por meio de Augusto Lima, o “Guga Lima”, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Como secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo Rui Costa, Wagner conduziu a privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que controlava a rede Cesta do Povo. Augusto Lima, que depois virou sócio de Vorcaro, venceu a licitação e criou o Credcesta, um cartão de crédito consignado. Até o momento, porém, não há investigação da Polícia Federal envolvendo Rui ou Wagner.

 

A leitura no entorno de Lula é de que transformar Ciro Nogueira em alvo da narrativa de Lula pode produzir um efeito reverso ao presidente e candidato à reeleição, abrindo espaço para que adversários tentem associar o governo às investigações ou levantar suspeitas sobre a lisura do trabalho de investigação. Aliados do presidente também observam que a operação já atingiu diretamente um dos principais nomes da articulação da direita e do Centrão para 2026. Após ser alvo da PF, Ciro afirmou ser vítima de “pressão” política em ano eleitoral e negou irregularidades.

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