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Análise: Irã usa Estreito de Ormuz para pressionar Estados Unidos

Foto: Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2025

Em uma publicação na rede social Truth Social, seis meses atrás, o presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos cortariam as exportações essenciais para a China e aumentariam as tarifas sobre produtos chineses para 100%.

 

Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um tipo de ameaça econômica do Irã semelhante à que enfrentaram da China no ano passado.

 

Trump ameaçou forte retaliação contra o Irã caso o país não reabra o Estreito de Ormuz – uma via navegável por onde, em condições normais, transita 20% do petróleo bruto mundial. No domingo (12), Trump elevou o tom, mais uma vez, afirmando que a Marinha dos EUA bloquearia o Estreito.

 

Além das milhares de vidas perdidas até o momento, a guerra no Oriente Médio tem impactado a economia mundial também.

 

Ameaças tarifárias

 

Ao longo do último ano, Donald Trump frequentemente lançou ameaças contra diversos parceiros comerciais, com diferentes níveis de sucesso.

 

Quando Trump elevou as tarifas sobre a China no ano passado, o governo chinês retaliou restringindo as exportações de minerais de terras raras, essenciais para uma ampla gama de eletrônicos, afetando empresas, consumidores e até mesmo as Forças Armadas americanas.

 

Trump, então, cedeu e reduziu as tarifas – em troca da promessa da China de reabrir as portas para o comércio de terras raras.

 

O Irã, de forma semelhante, vê o controle sobre o Estreito de Ormuz como a única ferramenta de pressão que possui sobre os Estados Unidos para impedir uma guerra prolongada e levar os EUA à mesa de negociações.

 

Contraponto econômico do Irã

 

O controle contínuo do Irã sobre o Estreito lhe confere uma vantagem significativa na guerra – as forças armadas e a liderança iranianas foram devastadas, mas o país mantém influência econômica sobre os Estados Unidos e o mundo.

 

“Aproveitem o preço atual da gasolina”, escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, em uma postagem no X. “Com o que está sendo chamado de ‘bloqueio’, vocês logo sentirão falta da gasolina a US$ 4 ou US$ 5”, declarou.

 

Começou nesta segunda-feira (13) o bloqueio das forças dos Estados Unidos contra navios que entram e saem de portos iranianos, incluindo o Estreito de Ormuz, o que pode impactar as vendas de petróleo do Irã e os pedágios que ajudavam-no a financiar a guerra contra os Estados Unidos.

 

Mas essas vendas de petróleo bruto iraniano, de aproximadamente 2 milhões de barris por dia, também mantinham, de certa forma, os preços do petróleo sob controle.

 

Se o mercado acreditar que a guerra se arrastará por semanas ou meses, os preços do petróleo poderão subir rapidamente acima de US$ 120, testando as máximas dos últimos quatro anos, afirmou Homayoun Falakshahi, analista-chefe de pesquisa de petróleo bruto da Kpler.

 

Além disso, os americanos também podem sentir preços mais caros. Em parte devido ao aumento do preço do combustível, a família americana típica está gastando US$ 233 a mais por mês com os mesmos bens e serviços do que há um ano, de acordo com a Moody’s Analytics.

 

Os preços da gasolina nos EUA haviam começado a cair, mas devem subir novamente devido ao bloqueio dos EUA, segundo Joe Brusuelas, economista-chefe para os EUA da RSM. O mesmo pode acontecer com o diesel e o querosene de aviação, acrescentou.

 

Além disso, os riscos inflacionários também continuarão subindo.

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