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CONJUNTURA

O aumento dos vereadores em Rio Branco e a falta de astúcia maquiavélica

Os vereadores de Rio Branco, capital do Acre, parecem ter esquecido de consultar os ensinamentos de Maquiavel em “O Príncipe” (talvez o “manual” mais importante para quem vive na e da política) ao aprovar um aumento no número de vereadores para a próxima legislatura. A Câmara Municipal decidiu, em primeiro turno, na última semana, elevar o número de vereadores de 17 para 21, deixando escapar uma oportunidade de aplicar a sabedoria política de Maquiavel em sua plenitude. Nesta análise, não vou me debruçar sobre a benesse (ou não) desse aumento no número de vereadores para o povo, apenas sobre a falta de traquejo político dos parlamentares que deixaram um cavalo selado passar.

 

Em “O Príncipe”, obra mais famosa de Maquiavel, brilhante pensador político renascentista, o pensador argumenta que, ao tomar decisões impopulares (como no caso do aumento de vereadores), um governante deve ter em mente o objetivo final de manter o poder e a estabilidade do Estado. Ele argumenta que é preferível que o governante tome todas as medidas “dolorosas” de uma só vez, concentrando a impopularidade em um curto período de tempo, para em seguida tentar restaurar a confiança e o bem-estar do povo por meio de ações benéficas e políticas que os beneficiem. Agindo assim, o governante terá mais chances de ser perdoado e de recuperar o apoio popular.

 

Mas parece que os vereadores de Rio Branco não tiveram tempo para apreciar essa leitura tão essencial e caíram em um “erro” de principiantes.

 

A proposta apresentada pela Mesa Diretora da Câmara de Rio Branco, embasada no princípio da proporcionalidade estabelecido pela Constituição Federal, admitia um aumento máximo de 23 vereadores. No entanto, os parlamentares optaram por um aumento tímido, para “apenas” 21 vereadores. Uma atitude pouco inteligente do ponto de vista da realpolitik (termo alemão para designar a política na prática, sem os adornos ideológicos).

 

A oportunidade de ir além e aumentar para os 23 vereadores permitidos pela lei foi desperdiçada. Em vez de adotar uma abordagem astuta e resolver a questão de uma vez por todas, os vereadores decidiram agir com parcimônia, como se estivessem se deleitando com uma xícara de chá.

 

Ao optar por um aumento para 21 vereadores, os parlamentares de Rio Branco demonstraram uma falta de sagacidade política. Maquiavel, com certeza, esfregaria as mãos e balançaria a cabeça em desaprovação. Afinal, a ampliação da representatividade política é algo a ser valorizado, e a oportunidade de alcançar o número máximo de vereadores permitidos pela lei é uma chance que não deveria ter sido ignorada.

 

A justificativa apresentada de que o aumento para 21 vereadores proporcionaria uma representatividade mais adequada dos segmentos sociais e ampliaria a abrangência da atuação dos parlamentares é válida. No entanto, por que parar por aí? Por que não ir além e garantir uma representação ainda mais abrangente?

 

É como se os vereadores de Rio Branco estivessem adotando uma abordagem homeopática para aprimorar a representatividade, diluindo o remédio e tornando-o ineficaz. Eles poderiam ter dado um golpe político contundente ao aumentar o número de vereadores para o máximo de 23.

 

A oportunidade foi perdida. Os vereadores de Rio Branco decidiram se contentar com menos, mostrando uma falta de visão estratégica e a ausência da sagacidade política que Maquiavel tanto valorizava.

 

CURTAS

 

Verborragia – Me impressiona como têm se comportado alguns deputados federais eleitos pelo Acre. Não desceram do palanque e continuam a disparar suas metralhadores giratórias verborrágicas contra toda e qualquer medida do governo Lula (PT).

 

Dá voto – Com um eleitorado muito identificado com as pautas da extrema-direita, o Acre se tornou um local que agir assim dá voto. Infelizmente.

 

Recesso – Apesar de uma legislatura morna com relação a pautas que chamem atenção do povo e da opinião pública, a Assembleia Legislativa teve um bom primeiro semestre. Foram muitas discussões e muitas leis aprovadas. Agora estão em recesso.

 

PINGA-FOGO

 

Será que algum desses deputados federais da turma “do contra” consegue se reeleger?

 

Thiago Cabral é sociólogo e jornalista. Pernambucano radicado no Acre, trabalha como consultor em comunicação política há mais de uma década.
[email protected]

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