O ex-senador e ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT), que atualmente ocupa a presidência da Apex Brasil, tem sido alvo de críticas de alguns eleitores petistas por sua aparente falta de interesse e envolvimento na política local. Enquanto o clima político em Rio Branco ferve com as especulações sobre as eleições municipais do próximo ano, Viana parece mais interessado em sua plantação de café, como tem demonstrado suas postagens nas redes sociais durante o último feriadão de Corpus Christi.
Embora tenha passado os dias de descanso em sua terra natal, o ex-senador permaneceu em silêncio (pelo menos publicamente) quanto aos desdobramentos das eleições municipais de 2024. Essa atitude levanta questionamentos sobre a sua disposição em contribuir para o processo eleitoral nos municípios, sobretudo Rio Branco.
Um dos principais pontos de discussão é o futuro político do ex-prefeito Marcus Alexandre, que recentemente deixou o PT e está sendo cortejado por duas importantes legendas: o PSD e o MDB. A expectativa é de que uma aliança envolvendo o PT e outras siglas seja formada para apoiar a candidatura de Alexandre.
No entanto, Jorge Viana parece estar alheio a essas movimentações políticas. Sua aparente falta de interesse e envolvimento na política local preocupa, já que o PT conta com seu prestígio e liderança para impulsionar o partido na disputa eleitoral. Inclusive na tentativa de voltar à Câmara de Vereadores, já que na última eleição o partido não conseguiu eleger sequer um vereador para o parlamento de Rio Branco.
Enquanto muitos esperavam que Viana estivesse mais engajado na construção de estratégias políticas e de fortalecimento do PT no Acre, ele parece estar mais focado em suas responsabilidades em Brasília e com o governo Lula. Essa desconexão com a política acreana pode ter consequências significativas para o PT, já que JV é o maior cacique do partido e inegavelmente o quadro com maior habilidade política para construir alianças e tentar tirar o partido do ostracismo em que se encontra localmente.
Resta saber se Viana reconhecerá a importância de sua participação na política regional e vai reverter a impressão de que está distante de sua base política.
CURTAS
Terçou – Mais uma terça-feira e mais uma coluna Conjuntura aqui em O Palaciano. Essa é apenas a segunda de muitas outras virão por aí.
Leve – O deputado estadual pelo PSD, Eduardo Ribeiro, faz um debute sem ressalvas nessa legislatura. É inteligente, sabe fazer política e é talvez o deputado com mais projetos de lei “úteis” apresentados neste mandato. É um político leve, sem aquele “peso” que a velha guarda (e muitos da nova tamém) carrega.
Vai baixar? – Depois dos mais diversos malabarismos dos políticos acreanos na tentativa de baixar o preço da passagem de avião, o Governo Federal vai dar uma forcinha. Lula anunciou ontem que sancionou a lei que zera as alíquotas PIS/Cofins para companhias aéreas. “Vamos estimular o setor para diminuir os preços das passagens”, escreveu o presidente.
ICMS – Um decreto estadual de 2019 autorizou a redução na base de cálculo do ICMS nas operações internas com querosene de aviação (QAV) e gasolina de aviação (GAV). Mas não deu resultado, pelo contrário, as passagens aumentaram. Os deputados estaduais querem derrubar esse decreto. Estão certos.
Ministério – Uma brincadeira da época da campanha eleitoral tomou conta das redes sociais ontem, no dia dos namorados. É que na época da campanha, Lula disse que o seu governo iria ser o governo do amor e que todo mundo iria namorar. Bastou isso para as pessoas começaram a pedir um Ministério do Namoro. Em agenda pública na última segunda (12), ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, o presidente entrou na brincadeira e se desculpou por não ter conseguido criar o Ministério. “Fica pra próxima”, disse.
PeteCast – O senador Petecão (PSD) é uma figura. Por esses dias ele iniciou um podcast, o PeteCast. Lá, ele entrevista, é entrevistado, fala de política, fala da vida, fala palavrão… Não à toa carrega a alcunha de 100% popular.
PINGA-FOGO
Será que JV vai repetir 2022 e vai esperar até os 45 minutos do segundo tempo pra decidir o que fazer com relação ao pleito de 2024?
Thiago Cabral é sociólogo e jornalista. Pernambucano radicado no Acre há mais de uma década, aqui no estado passou pela Rede Amazônica (afiliada Rede Globo), quando foi chefe de reportagem, Agência S/A de Mirla Miranda e ContilNet, onde atuou como webrepórter e titular da Coluna Pimenta no Reino. Trabalha como consultor em comunicação política há mais de 10 anos, atuando no Acre e em Pernambuco














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