Um artigo publicado pelo site O Palaciano em sua página no Instagram foi o suficiente para levantar o debate sobre o que é ser de direita no Acre. A publicação, que tratava dos possíveis novos arranjos das chapas de direita após a condenação de Gladson Cameli (PP) pelo STJ, recebeu diversos comentários, mas um deles chamou mais atenção, o do ex-vice-governador Major Rocha: “Gladson direita? 🤣”.
Rocha conhece Gladson de perto. Os dois governaram juntos no primeiro mandato, até o rompimento que virou uma das maiores crises políticas daquele período. Desde então, o ex-vice se tornou um crítico frequente do antigo aliado e nunca mais houve reaproximação.
O ponto curioso é que Rocha não foi voz isolada. Muitos comentários seguiram exatamente a mesma linha, questionando se Gladson seria, de fato, um político de direita. O que diz muito sobre o momento político do Acre.
Porque, gostem ou não dele, Gladson sempre fez parte desse campo. Foi aliado de Bolsonaro, governou cercado de partidos conservadores, dialogou com o agronegócio, com setores evangélicos e com grupos historicamente identificados com a direita acreana. O que mudou não foi exatamente Gladson. O que mudou foi o tamanho da régua.
A direita acreana foi se tornando mais radicalizada nos últimos anos. E quando um campo político se radicaliza, começa uma espécie de disputa interna por autenticidade. Quem não adota certo tom, certo discurso ou certa postura pública passa a ser visto como insuficiente. É um movimento que aparece muito nas redes sociais, onde a política virou também um espaço de demonstração de fidelidade ideológica.
Parece existir uma cobrança permanente para que políticos de direita estejam o tempo inteiro performando esse papel. Não basta ter histórico conservador ou alianças nesse campo. É preciso falar a linguagem certa, comprar determinadas brigas e sinalizar pertencimento quase diariamente.
O Acre vive isso de forma intensa porque a direita virou maioria política e eleitoral no estado. E quando um grupo se torna dominante, as disputas deixam de ser somente contra o adversário externo. Elas passam também a acontecer dentro do próprio grupo.
O comentário de Major Rocha acaba entrando justamente nesse ambiente. Tem provocação pessoal, claro. Mas também conversa com um sentimento que existe em parte desse eleitorado mais ideológico, que passou a enxergar qualquer sinal de moderação como afastamento da “verdadeira direita”.
A discussão aqui talvez nem seja mais sobre Gladson. É mais sobre como a própria direita acreana foi mudando de perfil e estreitando as condições para reconhecer alguém como parte dela.
















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