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Com possível candidatura de Aécio Neves à Presidência, Bocalom terá de escolher entre o partido e Bolsonaro

Foto: Assessoria

A possível candidatura de Aécio Neves (PSDB) ao Palácio do Planalto criou uma situação delicada para Tião Bocalom (PSDB) no Acre. Alinhado ao bolsonarismo, Bocalom nunca escondeu a preferência pela direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e já declarou mais de uma vez que apoiaria Flávio Bolsonaro (PL) numa eventual disputa presidencial. O problema é que agora o próprio partido dele começou a construir um caminho diferente.

 

Nos últimos dias, o PSDB e o Cidadania passaram a discutir oficialmente o nome de Aécio como alternativa presidencial de “centro democrático” para 2026. A federação formada pelas duas siglas chegou a formalizar um convite para que o deputado mineiro considere entrar na disputa. A movimentação ganhou força depois do desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, e da dificuldade de construção de uma candidatura competitiva fora da polarização entre PT e PL.

 

No Acre, isso cria um cenário politicamente desconfortável para Bocalom. O ex-prefeito entrou no PSDB recentemente, depois de anos orbitando o campo bolsonarista, e é um dos nomes mais competitivos para o governo do Estado. Só que sua identidade política foi construída justamente em cima do eleitor conservador ligado a Bolsonaro. Em agendas públicas, entrevistas e redes sociais, Bocalom sempre se posicionou muito mais próximo do PL do que da tradição tucana clássica.

 

Caso a candidatura de Aécio vingue, o ex-prefeito pode acabar diante de três caminhos. O primeiro seria seguir a orientação nacional do PSDB e subir no palanque de Aécio. O segundo seria repetir o movimento de outros tucanos conservadores pelo país e declarar apoio informal a Flávio Bolsonaro, mesmo permanecendo no partido. E existe ainda uma terceira possibilidade: tentar evitar o tema nacional e transformar a eleição acreana numa disputa exclusivamente local, sem mergulhar na guerra presidencial.

 

O problema é que 2026 tende a ser uma eleição fortemente nacionalizada. E no Acre, onde o bolsonarismo continua tendo peso eleitoral relevante, dificilmente Bocalom conseguirá atravessar a campanha sem ser cobrado sobre de que lado estará. Principalmente agora, quando o próprio PSDB começa a sinalizar que pode voltar a ter candidato próprio ao Planalto.

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