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Roberto Sánchez reconhece vitória de Keiko Fujimori na eleição do Peru

Foto: Jesus Saucedo/Getty Images

O candidato de esquerda Roberto Sánchez reconheceu, nesta segunda-feira (6/7), a derrota nas eleições presidenciais do Peru para a conservadora Keiko Fujimori. A decisão encerra semanas de disputas sobre o resultado do segundo turno, marcado por acusações de fraude, recursos judiciais e manifestações de apoiadores do candidato derrotado.

 

Em comunicado oficial, Sánchez e o partido Juntos por el Perú afirmaram que reconhecem a proclamação feita pela Comissão Nacional Eleitoral e aceitaram o resultado divulgado pelas autoridades, três dias após a vitória de Fujimori ter sido oficializada.

 

“A democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade. Reconhecemos que o Jurado Nacional de Eleições tenha proclamado oficialmente os resultados eleitorais; no entanto, isso não implica renunciar ao direito de apontar e denunciar as irregularidades que ocorreram durante o processo eleitoral, que são de conhecimento público e que, a nosso ver, afetaram o processo eleitoral. A paz democrática não pode ser construída sobre o silêncio diante de fatos que merecem ser esclarecidos”, diz o comunicado.

 

Mudança de posição

 

Durante a apuração dos votos, Sánchez questionou a lisura do processo eleitoral e chegou a afirmar que havia uma “fraude em curso” na contagem dos votos.

 

Os adversários se revezaram na liderança, sendo separados, às vezes, por menos de 1.000 votos.

 

Seu partido apresentou recursos à Justiça Eleitoral para tentar anular votos registrados em Lima e no exterior, alegando supostas irregularidades que teriam favorecido Keiko Fujimori.

 

As contestações também incluíam um pedido para invalidar os votos de eleitores peruanos residentes fora do país. Segundo Sánchez, falhas administrativas e problemas na gestão das cédulas justificariam a anulação desses votos.

 

Vitória foi confirmada pela Justiça Eleitoral

 

Na última sexta-feira (3/7), o Jurado Nacional de Eleições (JNE), órgão máximo da Justiça Eleitoral peruana, proclamou oficialmente Keiko Fujimori como vencedora do pleito.

 

A candidata do partido Fuerza Popular recebeu 9.223.396 votos (50,135%), enquanto Roberto Sánchez obteve 9.173.755 votos (49,865%).

 

A diferença entre os dois foi de apenas 49.641 votos, tornando a disputa uma das mais equilibradas da história recente do Peru.

 

Durante a cerimônia de proclamação, o JNE também rejeitou o pedido apresentado pelo partido de Sánchez para anular os votos dos peruanos que vivem no exterior.

 

Disputa foi marcada por protestos

 

Enquanto a apuração era realizada, Sánchez promoveu manifestações em diferentes cidades do país e convocou apoiadores para protestar contra o processo eleitoral.

 

Em um dos atos, realizado em 19 de junho, o candidato voltou a denunciar supostas fraudes e afirmou que recorreria à Corte Interamericana de Direitos Humanos para contestar o resultado das eleições.

 

Apesar das críticas, a Justiça Eleitoral manteve a validade da votação e concluiu oficialmente o processo.

 

Keiko assume país dividido

 

Ao ser declarada vencedora, Keiko Fujimori evitou adotar um discurso de celebração e destacou a necessidade de reduzir a polarização política no país.

 

“Estamos cientes de que o Peru está dividido, praticamente partido ao meio”, afirmou a presidente eleita durante pronunciamento em Lima.

 

Ela assumirá o governo em 28 de julho, no cenário de desafios econômicos, aumento da criminalidade e forte fragmentação política no Congresso, o que poderá dificultar a aprovação de projetos e a formação de maiorias parlamentares.

 

Histórico de instabilidade

 

A eleição ocorre após mais um período de intensa instabilidade institucional no Peru. Keiko substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, que assumiu o cargo após a saída de José Jeri, destituído pelo Congresso em meio a denúncias envolvendo reuniões não declaradas com empresários chineses.

 

Antes dele, Dina Boluarte também deixou a Presidência após acusações de corrupção. Ela havia assumido o comando do país depois da destituição de Pedro Castillo, preso após tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção para impedir um processo de impeachment.

 

Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes, reflexo da crise política que marcou a última década e que continua sendo um dos principais desafios para o próximo governo.

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