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Autoridade eleitoral do Peru confirma vitória de Keiko Fujimori

Foto: Klebher Vasquez/Anadolu via Getty Images

O Jurado Nacional Eleitoral (JNE) do Peru, autoridade máxima da Justiça Eleitoral peruana, confirmou nesta sexta-feira (3/7) a vitória de Keiko Fujimori na disputa pela Presidência do país.

 

Keiko recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% dos votos válidos. Já o candidato de esquerda Roberto Sánchez obteve 9.173.755 votos, ou 49,865%. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 49 mil votos.

 

Direita comanda 58% da América do Sul

 

  • As vitórias de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e de Keiko Fujimori, no Peru, mudaram o mapa político da América do Sul e colocaram a direita no comando da maioria dos governos da região.
  • Com os dois resultados, países governados por líderes de direita, centro-direita ou extrema-direita passaram a representar 58,3% da população da região, com sete dos 12 países sul-americanos.
  • Atualmente, o grupo é formado por Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
  • Do outro lado, Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname são governados por líderes de esquerda ou centro-esquerda.

 

A apuração dos votos pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) foi concluída na segunda-feira (29/6).

 

No entanto, o resultado só foi oficializado nesta sexta-feira, quando o JNE confirmou a vitória de Keiko.

 

Disputa acirrada

 

O segundo turno das eleições foi realizado em 7 de junho e terminou com uma das disputas mais apertadas da história do país. A apuração levou duas semanas.

 

Keiko Fujimori ampliou a vantagem com o apoio dos peruanos que vivem no exterior, onde recebeu mais de 63% dos votos.

 

Após a proclamação, Roberto Sánchez afirmou que não reconheceria o resultado e disse que pretende recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos para contestar o desfecho da eleição.

 

No último dia 24, quando a apuração já apontava uma vantagem considerada irreversível, Keiko fez um pronunciamento em que agradeceu o apoio recebido. Ela prometeu trabalhar para reduzir a polarização política no país. “Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, afirmou.

 

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko deverá suceder o presidente interino, José María Balcázar Zelada, que assumiu o cargo há quatro meses após a destituição de José Jeri pelo Congresso.

 

A presidente eleita assumirá o governo em um cenário marcado pelo aumento da criminalidade e por desafios na área social. Além disso, deverá enfrentar um Congresso dividido entre diferentes grupos políticos, o que pode dificultar a negociação de projetos e medidas do governo.

 

Instabilidade política

 

A eleição ocorre em meio a um longo período de instabilidade institucional no Peru. Antes de Zelada e José Jeri, a ex-presidente Dina Boluarte também deixou o cargo em meio a denúncias de corrupção.

 

Boluarte havia assumido a Presidência após a queda de Pedro Castillo, preso depois de dissolver o Congresso e decretar estado de exceção em uma tentativa de impedir um processo de impeachment.

 

Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes, refletindo uma das mais intensas crises políticas de sua história recente.

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