O governo da China classificou a acusação de Donald Trump sobre uma possível interferência do país na eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020, na qual perdeu para o democrata Joe Biden, de “invenção e difamação maliciosa”. A manifestação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês nesta sexta-feira (17/7).
“As alegações dos Estados Unidos são pura invenção e difamação maliciosa, comprovadamente absurdas”, disse o porta-voz da chancelaria da China, Lin Jian, durante coletiva de imprensa. “A China sempre aderiu ao princípio da não interferência em assuntos internos e não tem interesse, nem jamais interferiu, nas eleições norte-americanas.”
Lin Jian aproveitou o questionamento de repórteres para subir o tom contra os EUA e falou sobre o histórico de interferência norte-americana em outros países.
“Pelo contrário, a comunidade internacional pode ver claramente quem interfere frequentemente nos assuntos internos de outros países, quem, há muito tempo, realiza vigilância indiscriminada de governos, empresas e cidadãos comuns ao redor do mundo e quem rouba dados em massa de cidadãos de outros países”, acrescentou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Durante discurso à nação na noite de quinta-feira (16/7), Trump acusou o governo chinês de interferir na eleição presidencial de 2020, quando disputou a reeleição e perdeu para Biden.
Segundo o líder norte-americano, a China obteve informações sobre 220 milhões de eleitores dos EUA. Ele ainda apontou um suposto trabalho chinês com empresas e jornalistas do país para minar a imagem dele.
Logo após o pronunciamento de Trump, a Casa Branca liberou uma série de arquivos secretos de inteligência. Os documentos, segundo o governo norte-americano, comprovam a interferência de Pequim no pleito e também expõem “vulnerabilidades” no sistema de votação norte-americano.
Relatórios anteriores produzidos por agências de inteligência dos EUA, no entanto, descartaram qualquer tipo de ingerência dos chineses nas eleições presidenciais de 2020.
As acusações de Trump contra a China surgem meses antes das eleições de meio de mandato nos EUA, previstas para acontecer em novembro. O pleito pode mudar a atual configuração do Congresso, atualmente controlado pelo partido do presidente norte-americano.
No pronunciamento, o líder norte-americano ainda pressionou para que o projeto SAVE America Act, apresentado por seu governo, seja aprovado no Congresso. A medida busca, entre outros pontos, impedir o voto pelo correio e exigir comprovante de cidadania para registro de eleitores.















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