A maioria dos migrantes que entrou ilegalmente em Ceuta nos últimos dias já deixou o território espanhol. Segundo estimativa divulgada neste domingo (2/8) pelas Forças de Segurança do Estado da Espanha à agência EFE, cerca de 73,5 mil pessoas deixaram a cidade autônoma desde quinta-feira (30/7), em meio à maior crise migratória enfrentada nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, aumentou o número de vítimas da travessia. O delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, confirmou que ao menos 72 pessoas morreram afogadas ao tentar chegar ao território espanhol pelo mar.
As autoridades acreditam que o total de pessoas que deixaram Ceuta inclui não apenas os migrantes que cruzaram a fronteira durante a entrada em massa registrada entre quinta e sexta-feira, mas também pessoas que já estavam na cidade havia mais tempo ou que entraram e saíram diversas vezes ao longo da última semana.
As primeiras estimativas do governo espanhol apontavam que entre 50 mil e 60 mil migrantes haviam chegado ao enclave em apenas dois dias.
Até o fim da sexta-feira, porém, mais de 48 mil já haviam retornado espontaneamente ao Marrocos, segundo dados oficiais.
Crise humanitária
- Apesar da saída da maioria dos migrantes, centenas de pessoas permanecem em Ceuta em situação precária.
- Sem estrutura para atender ao grande fluxo, a cidade enfrentou nos últimos dias falta de estabelecimentos comerciais abertos para a compra de alimentos.
- Parte dos migrantes segue acampada nas praias, exausta e com fome, aguardando uma resposta das autoridades espanholas sobre pedidos de asilo.
- A cidade de Ceuta é um território espanhol localizado no norte da África, cercado pelo Marrocos e separado da Península Ibérica pelo Estreito de Gibraltar.
- Embora esteja em solo africano, a cidade integra a Espanha e, consequentemente, a União Europeia, tornando-se uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam chegar ao bloco europeu.
- A atual onda migratória é atribuída a uma combinação de fatores, entre eles a deterioração das condições econômicas no Marrocos, o desemprego entre jovens e a busca por melhores oportunidades de vida na Europa.
Pressão na fronteira
O retorno em massa ocorreu após o reforço da segurança na fronteira e a adoção de medidas mais rígidas pelos governos da Espanha e do Marrocos.
Madri enviou militares para Ceuta, enquanto a Guarda Civil instalou uma barreira pneumática de aproximadamente 500 metros para ampliar a vigilância na costa.
Paralelamente, os dois países firmaram um acordo para acelerar a repatriação de migrantes, aumentando a pressão para que deixassem o território espanhol.
O governo espanhol classificou a entrada em massa como uma violação da soberania nacional e intensificou a presença policial e militar no enclave, uma das principais fronteiras externas da União Europeia.















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