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Mudança de modelo de crédito reflete crise no agro, diz especialista

Robert Wiedemann/ Unsplash

O agronegócio brasileiro enfrenta uma crise que vai além dos fatores climáticos e geopolíticos. Ao WW, o presidente do IBDA (Instituto Brasileiro de Direito Administrativo) e vice-presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Renato Buranello, avaliou que a atual conjuntura reflete uma profunda mudança no modelo de crédito do setor, tornando a situação mais grave do que as crises cíclicas registradas ao longo das últimas décadas.

 

Segundo Buranello, as crises no agronegócio são históricas e recorrentes. “A gente nota ao longo de anos que as crises se repetem. Elas são cíclicas no agronegócio”, afirmou. No entanto, ele destacou que a crise atual se diferencia das anteriores por sua maior duração e intensidade, impulsionada por uma transformação estrutural no financiamento do setor.

 

Transição do crédito oficial para o privado

 

O presidente do IBDA explicou que o Brasil vive uma ampla mudança regulatória no financiamento agrícola, que se iniciou com a criação da cédula de produto rural e avançou com os títulos do agronegócio e, mais recentemente, com o Fiagro (Fundo de Investimento das Cadeias Agroindustriais).

 

Esse movimento tem reduzido progressivamente a relevância das linhas oficiais de crédito subsidiado, como o Sistema Nacional de Crédito Rural e os programas do BNDES, em favor do mercado de crédito privado.

 

“Aquele costume, conduta muito mais padronizada de recorrer a essas linhas oficiais, elas passam a ter hoje menor importância e o mercado de crédito privado um maior percentual de participação”, explicou Buranello. Para ele, a grande novidade desta crise é justamente a maior presença do mercado de capitais, o que torna o cenário mais árduo para os produtores.

 

Produtores rurais em situação de vulnerabilidade

 

O especialista ressaltou que o contexto macroeconômico desfavorável e os fatores geopolíticos — como o impacto sobre os preços de fertilizantes — agravaram ainda mais o quadro. Estudos apontam que crises no setor tendem a se repetir em ciclos de quatro a cinco anos, mas a atual chega com maior intensidade. “Esta com maior dor”, resumiu Buranello.

 

Segundo ele, a combinação entre a transição do modelo de crédito e os fatores externos tem deixado “um conjunto grande de produtores rurais” em situação de desânimo e vulnerabilidade financeira, especialmente os pequenos e médios produtores, que enfrentam dificuldades para lidar com as novas dinâmicas do mercado de financiamento agrícola.

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