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J&F, Eneva e NFE disputam compra do controle do terminal de GNL de Suape

Foto: Divulgação/Porto de Suape

A Eneva, a New Fortress Energy (NFE) e a Âmbar, braço de energia da J&F, entraram na disputa para comprar o controle do Terminal de Regaseificação de Suape (TRS), em Pernambuco, segundo fontes com conhecimento das negociações ouvidas sob condição de anonimato.

 

O terminal pertence à holding OnCorp, que contratou o Bank of America (BofA) para assessorar a transação, segundo as fontes. Procurada, a OnCorp não quis se manifestar sobre o assunto. Ainda não há uma estimativa para o valor que poderá ser alcançado na negociação, mas o investimento global previsto para o empreendimento é de aproximadamente R$ 3 bilhões.

 

O interesse pelo ativo ganhou força após o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) de 2026, que contratou cerca de 17 GW de capacidade termelétrica e abriu uma corrida entre os geradores para assegurar o suprimento de gás natural necessário para abastecer as novas usinas. A disputa pelo TRS ocorre em um momento em que a infraestrutura de importação de gás natural liquefeito (GNL) ganhou importância estratégica para os vencedores do leilão.

 

Segundo dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) quase 8 GW de novas térmicas deverão iniciar o fornecimento de capacidade a partir de 2028, aumentando significativamente a necessidade de gás no país.

 

Nesse cenário, Suape tem uma vantagem importante: o projeto está mais avançado que eventuais novos terminais e tem previsão de entrar em operação dentro de aproximadamente dois anos. O terminal já conta com uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação, conhecida como FSRU (Floating Storage and Regasification Unit), contratada para o empreendimento. A estrutura terá capacidade de regaseificação de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

 

A construção de uma infraestrutura equivalente partindo do zero exigiria mais tempo, além dos processos de licenciamento, contratação da unidade flutuante, implantação das estruturas portuárias e conexão ao sistema de transporte.

 

Suape aparece como uma das principais alternativas, sobretudo para empreendimentos localizados no Nordeste. A localização do terminal oferece ainda outra vantagem. O gás regaseificado poderá acessar a infraestrutura de transporte da TAG (Transportadora Associada de Gás), permitindo que a molécula deixe de ficar restrita às térmicas próximas ao porto e alcance outros consumidores conectados à malha de gasodutos.

 

Âmbar amplia ofensiva no mercado de gás

 

Uma das interessadas no terminal é a Âmbar Energia, braço de energia da J&F. A companhia arrematou cerca de 2 GW de projetos do Leilão de Reserva de Capacidade e tem adotado uma estratégia agressiva de expansão em torno dos ativos relacionados ao certame.

 

A CNN noticiou com exclusividade que a empresa dos irmãos Batista assinou uma opção de compra sobre projetos da EPP (Evolution Power Partners) que participaram do LRCap de 2026. Os empreendimentos estão no centro de uma disputa regulatória envolvendo sua habilitação no certame.

 

A empresa também fechou contrato para o arrendamento do Terminal Gás Sul (TGS), terminal de regaseificação da New Fortress Energy em Santa Catarina. Procurada, a empresa não retornou o contato.

 

Eneva foi a principal vencedora do leilão

 

Outra interessada é a Eneva, maior vencedora do leilão. A companhia arrematou aproximadamente 5,5 GW de capacidade no certame e, consequentemente, está entre as empresas com maior necessidade futura de garantir combustível para abastecer os novos projetos.

 

Esse volume poderá crescer ainda mais. A Eneva pode ser convocada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para assumir capacidade adicional caso seja confirmada a inabilitação de empreendimentos ligados à EPP (Evolution Power Partners). Procurada, a empresa não quis comentar o assunto.

 

NFE também está na disputa

 

A terceira interessada, a americana New Fortress Energy, já conhece de perto o ativo e o mercado de gás de Suape. Em 2021, a companhia anunciou a aquisição da CH4 Energia, empresa que detinha licenças e autorizações para desenvolver um terminal de GNL e até 1,37 GW de geração a gás no complexo portuário pernambucano.

 

A NFE chegou a disputar o direito de explorar o Cais de Múltiplos Usos (CMU), justamente onde seria instalado o terminal de regaseificação. A tentativa, porém, não avançou. Em 2022, a comissão de licitação de Suape considerou que a manifestação da CH4 não atendia a todos os requisitos exigidos para o contrato de uso temporário. A OnCorp, por meio da Aruanã Energia, foi a única interessada considerada apta a cumprir todas as exigências do processo.

 

A empresa já possui forte atuação no segmento de GNL no país. É dona do Terminal Gás Sul (TGS), em Santa Catarina, com capacidade de regaseificação de até 15 milhões de metros cúbicos por dia, e do terminal de Barcarena, no Pará. Parte da capacidade do TGS foi arrendada à Âmbar, mas o terminal também deverá abastecer a termelétrica Lins II, projeto da própria NFE que venceu o produto com início de suprimento em 2031 no leilão de capacidade.

 

Procurada, a empresa não quis comentar o assunto.

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