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Análise: Mercado opera dividido entre eleição e crise institucional

Mas existe uma segunda leitura, de prazo mais longo — e potencialmente muito mais grave • Foto: Imagem gerada por IA

Olhando apenas para os preços dos ativos financeiros nesta sexta-feira (4), pode parecer que o mercado está passando ao largo da crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal).

 

Mas a relativa estabilidade da Bolsa e do dólar expressa justamente a dificuldade dos investidores para se posicionar diante de uma situação inédita e de consequências ainda imprevisíveis.

 

Em meio a tantas dúvidas, o mercado faz essa leitura em duas etapas.

 

A primeira é de curto prazo e passa pelas eleições: qual será o efeito político dessa crise?

 

A avaliação predominante entre os agentes financeiros é que a oposição pode sair fortalecida. Isso porque Lula é visto como politicamente mais próximo de Alexandre de Moraes. Além disso, a crise reduz ainda mais o espaço para o governo adotar novas medidas de estímulo com foco eleitoral.

 

Por essa ótica, o episódio reforça a tese de que o mercado vinha subestimando as chances da oposição. Essa mudança de percepção já ajudou a sustentar o rali recente do Ibovespa e a valorização do real.

 

O movimento ganhou força com o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, o crescimento de Augusto Cury (Avante) — que aumenta a possibilidade de segundo turno — e a elevação da rejeição a Lula.

 

Mas existe uma segunda leitura, de prazo mais longo — e potencialmente muito mais grave. A crise no STF representa um forte abalo institucional, que reduz a previsibilidade, compromete o funcionamento das instituições e coloca em dúvida a segurança jurídica do país.

 

Esse ambiente pode diminuir a disposição dos investidores para colocar recursos no Brasil, tanto no mercado financeiro quanto, principalmente, na economia real. O risco é de adiamento ou paralisação de investimentos e, em um cenário mais extremo, de saída de capital.

 

O problema é que o desfecho dessa crise permanece uma grande incógnita — e pode ocorrer somente depois das eleições. Com isso, ficou ainda mais difícil atribuir probabilidades aos diferentes cenários.

 

O próprio resultado eleitoral já teria força para afetar, positiva ou negativamente, os negócios. Agora, a incerteza institucional acrescenta uma nova camada de risco.

 

Se houver uma surpresa e Moraes deixar o STF, gestores ouvidos pelo CNN Money enxergam espaço para uma reação positiva dos ativos. Já uma eventual derrota de Mendonça, nas circunstâncias atuais, poderia provocar uma deterioração expressiva dos preços.

 

No fim das contas, o mercado reconhece a gravidade da crise, mas ainda não consegue dimensionar suas consequências. Por isso, a estratégia predominante neste momento tem sido evitar grandes posições e aguardar maior clareza.

 

E há ainda outro fator no caminho: a decisão do Federal Reserve. Se o Banco Central americano realmente elevar os juros, a aversão ao risco tende a aumentar.

 

Países emergentes seriam pressionados — especialmente aqueles que, como o Brasil, atravessam uma crise institucional. Nesse cenário, a reação dos mercados poderia ser ainda mais negativa.

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