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TSE rejeita pedido de grupo da Espanha para observar eleições de 2026

Foto: Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o pedido de credenciamento do Eurolat Global Democracy Forum, organização sediada na Espanha, para atuar como missão internacional de observação nas eleições brasileiras de 2026.

 

A decisão foi tomada após a Corte concluir que a entidade não atende aos critérios técnicos exigidos para esse tipo de atuação.

 

Outros dois pedidos de observação internacional ainda aguardam análise.

 

Segundo integrantes do tribunal, a avaliação concluiu que o grupo não se enquadra no conceito de organização internacional apta a realizar missões eleitorais. A análise foi conduzida pela Diretoria Internacional do TSE, estrutura criada neste ano pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques.

 

De acordo com o entendimento do tribunal, as missões de observação precisam estar vinculadas a instituições com atuação consolidada e legitimidade reconhecida na área eleitoral, como organismos internacionais, universidades, centros de pesquisa ou entidades especializadas.

 

A Justiça Eleitoral também considera a experiência da organização e sua capacidade técnica para elaborar relatórios independentes sobre o processo eleitoral.

 

O Eurolat Global Democracy Forum se apresenta como um fórum da sociedade civil com o lema “por eleições livres, transparentes e confiáveis”. A entidade, no entanto, não possui mandato eletivo, chancela governamental nem autoridade legislativa.

 

Além disso, utiliza um nome semelhante ao da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (EuroLat), órgão oficial criado em 2006 que reúne representantes do Parlamento Europeu e de parlamentos latino-americanos para fortalecer a cooperação entre as duas regiões.

 

Apesar da semelhança, as duas organizações não possuem vínculo institucional.

 

Integrantes chamaram atenção do TSE

 

  • Durante a análise, integrantes da Corte também identificaram que alguns membros da missão mantêm relações com figuras críticas ao sistema eleitoral brasileiro.
  • Entre eles está Ahmed Adeeb, ex-vice-presidente das Maldivas, que foi condenado a 20 anos de prisão por corrupção em seu país e aparece como chefe da missão do grupo.
  • Outro integrante é o brasileiro Maurício Galante, vereador em Arlington, no Texas, nos Estados Unidos.
  • Em apresentações públicas, Galante se identifica como presidente do Instituto Harpia nos EUA.
  • No Brasil, o Instituto Harpia é presidido pelo ex-deputado federal Major Vitor Hugo e tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como presidente de honra. Nas redes sociais, a entidade adota o slogan “Asas da Ação e da Liberdade”.
  • Segundo informações levantadas pelo TSE, alguns integrantes da associação também fazem parte da rede de contatos do jornalista Paulo Figueiredo, conhecido pelas críticas às autoridades brasileiras e ao sistema eleitoral.
  • Além do pedido negado ao Eurolat Global Democracy Forum, o TSE ainda analisa outras duas solicitações para acompanhar as eleições de 2026.
  • Uma delas foi apresentada pela organização Transparencia Electoral, entidade que afirma atuar na promoção da integridade e da equidade dos processos eleitorais na América Latina e diz trabalhar para garantir eleições livres, justas e acessíveis.

 

Regras para observação internacional

 

As missões internacionais de observação eleitoral elaboram relatórios sobre o processo eleitoral brasileiro e acompanham diferentes etapas da organização das eleições.

 

A participação desses grupos é regulamentada pela Resolução nº 23.678/2021 do TSE, que estabelece que o credenciamento depende da celebração de acordo prévio com o tribunal. A norma prevê a análise da natureza da organização interessada, da conveniência da observação e da oportunidade de sua realização.

 

Podem solicitar credenciamento organismos internacionais e regionais, governos estrangeiros, instituições de ensino e especialistas com reconhecida experiência internacional em matéria eleitoral.

 

Para as eleições de 2026, o TSE já autorizou missões de observação de organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia (UE), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a Rede dos Organismos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).

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