Durante uma reunião ministerial realizada nesta sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente americano,Donald Trump, nutre “inveja” da China em relação ao domínio sobre terras raras e minerais críticos. A declaração foi feita em um encontro dedicado a discutir o potencial brasileiro nesse setor estratégico. A analista de Política da CNN Julliana Lopes comenta o assunto.
A China é o país com as maiores reservas mundiais desses minerais e detém o controle absoluto de mais de 90% do mercado global, dominando não apenas a extração, mas também o refino desses recursos. Esse domínio tem se convertido em um poderoso ativo político e econômico nas relações entre Pequim e Washington.
Fala de Lula na reunião ministerial
Em suas declarações durante o encontro, Lula demonstrou surpresa com o nível de conhecimento técnico reunido na mesa. “Eu fico boquiaberto de ver quanto conhecimento sobre minerais críticos e terra rara está em volta dessa mesa”, afirmou.
“Eu, sinceramente, achei que a gente era quase que analfabeto nesse assunto.” Lula também destacou o que chamou de “obsessão” da China em liderar o setor e a “inveja” de Trump em relação a esse conhecimento.
Brasil ainda patina na regulação do setor
A analista de Política da CNN Julliana Lopes chamou atenção para os entraves enfrentados pelo Brasil nessa área. Segundo ela, enquanto a China já avançou na regulação do setor, o Brasil ainda discute o tema de forma atrasada no Congresso Nacional.
“O projeto que está lá não foi para frente ainda”, afirmou. A analista mencionou ainda uma negociação polêmica envolvendo a venda de uma empresa do setor em Goiás e apontou que investidores enxergam essa lentidão como um atraso, já que o país poderia estar negociando minerais críticos em outro patamar diante da pressão exercida pelos Estados Unidos.
A analista também destacou o momento político em que a declaração de Lula foi feita. O Palácio do Planalto acompanha de perto as negociações em andamento nos Estados Unidos sobre tarifas que podem afetar produtos brasileiros.
Nesse contexto, Lula teria recuado em críticas mais diretas a Trump nos últimos dias, optando por um tom mais ameno — mas ainda assim sustentando a comparação com a China. “É uma fala que chama bastante atenção nesse momento em que o Brasil está nessa negociação específica”, avaliou Julliana Lopes.















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