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Fitch apontou “possibilidade real” de quebra do Digimais antes de operação

Foto: Reprodução

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou ontem o rating nacional do Digimais e apontou a possibilidade real de quebra do banco do bispo Edir Macedo um dia antes da deflagração da operação contra a instituição financeira.

 

O banco foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) na manhã desta terça-feira (23). A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 670 milhões do banco do bispo.

 

A agência avalia em sua decisão que a margem de segurança do Digimais é “muito baixa”, sendo a quebra da instituição financeira e/ou calote uma “possibilidade real”. “A capacidade de o banco manter suas operações sem suporte é altamente vulnerável a uma deterioração do ambiente de negócios e econômico”, diz a decisão.

 

De acordo com a agência, as incertezas em torno do perfil financeiro do banco, agravadas pela ausência de informações, impedem uma avaliação consistente sobre sua posição de capital, sua liquidez e suas estratégias futuras.

 

“A perda de visibilidade ocorre em meio à reformulação do modelo de negócios do banco, à deterioração de seus resultados e a uma disputa judicial envolvendo um fundo de investimento em direitos creditórios”, explica a agência.

 

Ainda de acordo com a Fitch, a persistência das incertezas, o ambiente de elevada exposição midiática e a ausência de informações exercem impacto negativo diretamente nos perfis de franquia e captação do Digimais.

 

 

“As alterações relevantes na governança corporativa do banco, incluindo a substituição do CEO e a destituição do Conselho de Administração, somam-se a esse quadro e reduzem a previsibilidade sobre a execução de sua estratégia e de sua capacidade de estabilizar o desempenho financeiro”, informa a agência.

 

A Fitch decidiu ainda retirar todos os ratings do Digimais por insuficiência de informações. “A retirada reflete a avaliação da agência de que não será capaz de manter o monitoramento adequado das classificações, tendo em vista a ausência de informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis”, diz a Fitch.

 

Digimais rechaçou suspeitas de irregularidades

 

No dia 20 de maio, o Digimais emitiu uma nota rebatendo “supostas irregularidades contáveis e investigações” veiculadas pela imprensa.

 

O comunicado diz que não há provas baseando as alegações e que os fatos teriam sido deturpados. Alegam ainda compromisso com a legalidade.

 

“Reiteramos que todas as nossas operações, balanços e movimentações financeiras são pautados pela mais estrita legalidade, legitimidade, transparência e em total conformidade com as normas dos órgãos reguladores do sistema financeiro nacional, sendo auditados regularmente.”

 

Veja a íntegra do comunicado de 20 de maio

 

O Banco Digimais vem a público manifestar seu esclarecimento diante das recentes matérias jornalísticas veiculadas, as quais imputam, de forma imprudente e irresponsável, supostas irregularidades contábeis e investigações sem qualquer lastro na realidade.

 

Diante do manifesto caráter difamatório da publicação, esclarecemos o que segue:

 

* Ausência de Provas e Fatos Deturpados: As publicações baseiam-se em alegações completamente inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental. Trata-se de narrativas plantadas com o claro intuito de prejudicar a imagem pública e a solidez da instituição.
* Compromisso com a Legalidade: Reiteramos que todas as nossas operações, balanços e movimentações financeiras são pautados pela mais estrita legalidade, legitimidade, transparência e em total conformidade com as normas dos órgãos reguladores do sistema financeiro nacional, sendo auditados regularmente.
* Irresponsabilidade Jornalística: A divulgação de acusações gravíssimas sem a devida checagem dos fatos ou a apresentação de provas concretas fere frontalmente a ética jornalística e o direito à informação verídica, gerando desinformação e prejuízos infundados.

 

A instituição permanece firme em seu propósito, operando com a segurança e a integridade que sempre nortearam suas atividades, à disposição de seus clientes, parceiros e das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos legítimos.

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