Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

PUBLICIDADE

TÂNIA FUSCO

O mundo sem freios

Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Ou a deselegância como norma. O desrespeito como regra. A mentira como estatuto. A IA pode juntar tudo isso num post descarado.

 

Onde começou? Como começou? Quem começou? Veio primeiro o ovo ou a galinha?

 

Se foi o ovo, é de serpente, como a que desgraçou o paraíso. Se foi a galinha, veio disfarçada como galo da KFC, estilizado no modo laranja, batizado de Mister Trump, que de mister não tem nem os pelos da púbis.

 

Pois não é que o galo deu pra desafiar o mundo? Até aqui, sem resistências. Ou com poucas e fracas como aconteceu quando Hitler anexou a Áustria e parte da Tchecoslováquia, em 11 e 13 de março de 1938.

 

O mundo, dito civilizado, abriu só o modo observação, acreditando (?) assim evitar a guerra. Aquele vacilo deu gás à Alemanha que ligou o modo posso-tudo e invadiu a Polônia, em 1º de setembro de 1939. Sou invencível, acreditou Hitler. Quase foi.

 

Qualquer dos nascidos no século 20 e com leitura maior do que a de livros pra colorir conhece a história e o que resultou na História do contemporânea.

 

A História não se repete como farsa. Embora Marx – o que é mais conhecido só como comunista raiz – defendesse que sim. As histórias, que fazem a História, costumam repetir tragédias, nada burlescas.

 

Mas, enquanto civilizados seguem “observando” Trump e seus filhotes, muitas serpentes, nada amigáveis, desabrocham de ovos bem podres. E com plena permissão para cruzar fronteiras e afrontar adversários, sejam ou não chefes de Estado e representantes de cortes superiores.

 

Assim faz Javier Milei, presidente da Argentina, que governa no modelo Trump, como se tudo pudesse por licença de seu falecido cachorro, Conan – conselheiro que, acima de Deus, concebe caminhos para suas performances, nada educadas, internas e externas.

 

Cadê o freio?

 

Milei não é palhaço. Trump não é louco. Não faltam pinos na cabeça de nenhum deles. Sobra a ambos (e a outros dos deles) propósito, objetivo e método. Embora caricatos, não são caricaturas. São de carne, ossos e ousadia para afrontar limites. Assim, ultrapassá-los – com ou sem bombas, drones e mísseis.

 

O mundo que planejam não tem nada do que agora – e ainda – experimentamos como: considerar, prezar e honrar.

 

O mundo que projetam não tem os freios dos organismos internacionais, criados no pós guerra, para impedir barbaridades. Eles têm pretensão de rearranjar acordos de convivência social ao seu bel prazer, à sua força, ao seu mando.

 

Enquanto civilizados seguem “observando”, Trump e os seus avançam sobre nós. Sem freios.

 

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

 

Poema “Rosa de Hiroshima”, de Vinicius de Moraes. Referência às duas bombas atômicas, jogadas sobre o Japão, em agosto de 1945. Arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Em segundos, mataram, feriram e mutilaram mais de 200 mil pessoas. O (des)propósito era pôr fim à 2ª Guerra. O poema foi escrito em 1946, como um manifesto pacifista do pós guerra. Foi publicado em 1954 e musicado nos anos 70, do século passado.

 

Bom relembrar. Agosto tá logo ali.

COMENTE ABAIXO:

You must be logged in to post a comment Login

PUBLICIDADE