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Entre a emergência e o diagnóstico, Alysson Bestene tenta virar a chave do transporte público na capital

Fonte: Reprodução

A problemática do transporte coletivo em Rio Branco, que deixou a cidade sem ônibus na última quarta-feira (22), é o ponto mais visível de um problema que se arrasta há anos. Logo nos primeiros dias de gestão, o prefeito Alysson Bestene já havia colocado o tema como prioridade e criado um grupo de trabalho para fazer um diagnóstico completo do sistema e apontar saídas.

 

A medida veio antes mesmo da crise mais recente. Em decreto publicado no início de abril, a prefeitura reuniu áreas estratégicas da gestão, como RBTrans, Casa Civil e Procuradoria, para levantar dados, ouvir os envolvidos e propor mudanças. A ideia era simples no papel, entender o que de fato não funciona e sair do improviso, com um relatório técnico em até 30 dias.

 

Duas semanas depois, o cenário piorou. A paralisação total dos motoristas, por falta de pagamento e problemas na operação da empresa concessionária, expôs o tamanho do problema. Sem ônibus nas ruas, a prefeitura decretou situação de emergência por 60 dias, abrindo espaço para medidas imediatas para tentar restabelecer o serviço.

 

No meio da crise, Alysson foi pessoalmente à garagem conversar com os trabalhadores e passou a conduzir negociações diretas com o sindicato ainda durante a madrugada. A gestão também começou a separar responsabilidades entre município e empresa, tentando destravar o pagamento de salários e evitar o prolongamento da paralisação.

 

O episódio também acelerou a pressão institucional. O Ministério Público abriu procedimento para cobrar explicações da prefeitura, enquanto a Câmara Municipal convocou reuniões emergenciais para discutir o colapso. A crise deixou claro que o atual modelo de transporte público, operado por apenas uma empresa, a Ricco, está fragilizado. Enfrenta problemas contratuais, financeiros e operacionais acumulados.

 

Nos bastidores, a avaliação é que a gestão tenta, ao mesmo tempo, apagar o incêndio e redesenhar o modelo. O grupo de trabalho criado no início do governo passa a ganhar ainda mais peso nesse contexto, já que deve embasar decisões mais profundas, como mudanças no contrato, revisão do sistema e até novas soluções para a operação.

 

O desafio, agora, é transformar esse diagnóstico em ação. A crise escancarou a urgência. E, para a gestão Alysson, resolver o transporte deixou de ser mais uma pauta administrativa e virou um teste da sua capacidade de gestão logo no início do mandato.

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