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Mercado financeiro amplia uso de IA, mas adoção ainda é desigual, entenda

Foto: IA • Ilustração feita via inteligência artificial

A maioria das empresas do mercado financeiro (92%) já usa inteligência artificial em alguma atividade interna. Mesmo assim, o nível de maturidade na adoção da tecnologia ainda é considerado intermediário: 2,7, em uma escala de zero a cinco.

 

Os dados são da pesquisa “Retrato da inteligência artificial no mercado de capitais”, da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

 

O levantamento ouviu 177 companhias do mercado financeiro, como gestoras, corretoras e consultorias, entre 21 de janeiro e 6 de abril deste ano.

 

Dessas empresas, 59% acreditam que a IA ganhou muita relevância nos últimos 12 meses, e 63% acreditam que a importância da tecnologia seguirá crescendo no próximo ano. Quatro em cada dez (39%) dão nota 9 ou 10 para a importância atual da inteligência artificial no trabalho.

 

A pesquisa também mapeou os impactos esperados do uso da IA:

 

  • 93% acredita que as ferramentas aumentam a eficiência dos processos internos;
  • 90% acredita que a IA gera diferenciais competitivos no mercado;
  • 89% acredita que as ferramentas estimulam a aprendizagem organizacional e cultura de inovação;
  • 86% acredita que a IA melhora a qualidade da tomada de decisão.

 

Entre as práticas de IA mais comuns nas companhias, estão o uso voltado para Data Science (72%) e práticas generativas no geral (67%), como uso de chatbots e geração de imagens e vídeos.

 

Impactos positivos e negativos da IA

 

O levantamento mapeou as vantagens e desvantagens da tecnologia na percepção das empresas financeiras.

 

Entre os impactos positivos, as companhias mencionam aumento de produtividade (80%), automação de tarefas (75%), redução de riscos e erros (57%), e apoio à tomada de decisão em áreas específicos (57%).

 

A tecnologia também traz desafios. Apesar de (38%) não perceber impactos negativos relevantes, a grande maioria reconhece algumas desvantagens, como necessidade de novos controles ou auditorias (24%), falta de capacitação ou treinamento (22%), custo de implementação (19%), falta de segurança e privacidade (17%), e falta de especialistas no mercado (16%).

 

Além disso, nem todas as empresas estão prontas para implementar IA na rotina. Em relação a políticas e governança para o uso responsável de inteligência artificial:

 

  • 52% têm diretrizes informais ou políticas em elaboração;
  • 29% têm alguma política formal, aprovada e comunicada apenas em algumas áreas;
  • 9% têm política formal de forma abrangente na empresa;
  • 8% não têm nenhuma diretriz ou política sobre uso de IA;
  • 3% têm não apenas políticas formais aprovadas, como também princípios de uso ético, considerados avançados.

 

Por que implementar IA?

 

Entre os motivos para adotar IA, a maioria (53%) cita a redução nos custos de implementação da tecnologia. Outros (33%) mencionam benefícios claros para o negócio e (27%), exemplos de sucesso em empresas similares.

 

Há quem prefira não adotar. (27%) acreditam que a tecnologia ainda é muito recente ou que a empresa não tem necessidade, normalmente no caso de empresas pequenas. Outros (13%) citam uma fase de adaptação às ferramentas.

 

No geral, o relatório indica que as companhias já concordam quanto aos ganhos de eficiência nos processos internos. No entanto, apesar da ampla adoção, o nível de maturidade ainda é desigual.

 

“O uso ainda se concentra em aplicações mais táticas, especialmente em processos internos e backoffice. A expansão para usos mais integrados à estratégia depende de avanços em governança de dados, gestão de riscos, capacitação, controles e mensuração de resultados”, conclui.

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