Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) reduziram a estimativa de inflação para 5,16% em 2026, ou seja, ainda acima do teto da meta. A mudança na projeção ocorre em meio à retomada do conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel, após um período de cessar-fogo.
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), houve manutenção em 1,99%. É o que mostra a nova edição do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira (13/7).
De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 5,16%. Em relação ao PIB de 2026, a projeção foi mantida em 1,99%.
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Inflação estoura teto da meta em 12 meses
Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,16% em junho deste ano; com isso, o índice está em 4,64% nos últimos 12 meses. Em 2025, a inflação acumulou alta de 4,26% – valor que ultrapassou o centro da meta, mas permaneceu abaixo do teto.
Para 2027, o índice esperado foi elevado de 4,18% para 4,20%.
A revisão para baixo na projeção de inflação para este ano ocorre em meio à retomada do conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel, após um período de cessar-fogo.
Segundo o Comando Central norte-americano (Centcom), a última operação atingiu aproximadamente 140 alvos militares iranianos. A terceira rodada de ataques contra o Irã foi finalizada no último sábado (11/7).
PIB
Segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2026 deve ter crescimento de 1,99%, índice igual ao da projeção da semana passada.
Para 2027, a previsão de crescimento da economia foi reduzida de 1,69% para 1,65%. Para 2028, a estimativa foi mantida em 2%.
Em 2025, o PIB brasileiro fechou em alta de 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera crescimento do PIB na casa de 1,6% em 2026 e o BC considera um avanço de 2%. O governo Federal acredita em elevação de 2,3%.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez, na última quarta-feira (8/7), uma nova revisão para cima do crescimento do PIB brasileiro, no patamar de 2,4%, ante o 1,9% verificado na estimativa de abril deste ano.
Selic
A projeção da Selic para o fim deste ano foi mantida em 14% ao ano. Para 2027, a projeção foi mantida em 12%. Para 2028, o mercado manteve estimativa em 10,25% ao ano.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 16 e 17 de junho, a Selic foi reduzida de 14,5% para 14,25%. A próxima reunião do colegiado está marcada para 4 e 5 de agosto.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Dólar
Os analistas consultados pelo BC mantiveram a projeção para o dólar em 2026 em R$ 5,20.
Para 2027, a estimativa foi mantida em R$ 5,28.
Para 2028, o mercado reduziu a projeção de R$ 5,35 para R$ 5,34.
Relatório Focus
O Relatório Focus resume as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à divulgação. O boletim é divulgado, normalmente, às segundas-feiras.















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