O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se manifestou, nesta segunda-feira (13/7), após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas do parlamentar ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
Durante live em seu canal do Youtube, o parlamentar afirmou que Moraes está tentando “interferir” nas eleições deste ano.
“(A decisão) claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Não bastasse toda a maldade e injustiça que ele já vem fazendo com o Jair Messias Bolsonaro, o melhor presidente da história deste Brasil”, disse.
Flávio também acusa Moraes de deixar Bolsonaro “incomunicável”: “E o que Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar meu pai incomunicável. Não por acaso, ele toma a decisão deixando o presidente Bolsonaro sem falar com o próprio filho, no caso, Flávio Bolsonaro, eu, por 90 dias. Ou seja, eu só poderia voltar a falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para estabelecer 90 dias?”
O filho “01” de Jair Bolsonaro afirmou não entender por que a divulgação da carta passou a ser questionada apenas agora, já que, segundo ele, outros quatro documentos também escritos pelo pai foram divulgados anteriormente sem que houvesse qualquer manifestação do ministro.
“O que eu percebo é que, mais uma vez, Alexandre de Moraes está apenas procurando uma desculpa para tirar o meu pai da prisão domiciliar em que ele se encontra. Gente, não vamos ser ingênuos”, afirmou.
A manifestação ocorre poucas horas após Moraes determinar a suspensão das visitas de Flávio e conceder prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro explique se o ex-presidente tinha conhecimento da divulgação de uma carta de apoio à pré-candidatura do filho ao Planalto.
Decisão de Moraes
- A decisão foi tomada após Flávio publicar, no último sábado (11/7), uma carta escrita pelo pai em que o ex-presidente reafirma apoio à sua candidatura ao Palácio do Planalto.
- No texto, Bolsonaro chama o senador de “meu pré-candidato” e “meu porta-voz”, pedindo apoio dos eleitores ao filho.
- Segundo Moraes, ao divulgar o documento nas redes sociais, Flávio utilizou o direito de visita para contornar a proibição imposta ao ex-presidente de se manifestar publicamente, direta ou indiretamente, por meio de terceiros.
- Na decisão, o ministro afirma que o senador obteve a carta “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”, o que configuraria desvio de finalidade no exercício do direito de visita.
- O magistrado também cita que, ao conceder a prisão domiciliar temporária de Bolsonaro, em março deste ano, proibiu expressamente o uso de redes sociais pelo ex-presidente, inclusive por intermédio de terceiros.
- Moraes ainda aponta que Flávio seria reincidente em desrespeitar determinações judiciais.
- Segundo o ministro, ele e o pai já haviam descumprido medida semelhante em agosto de 2025 ao produzirem, “dolosa e conscientemente”, material destinado à divulgação por apoiadores políticos.
Flávio pede que OAB se manifeste após ser impedido de visitar Bolsonaro
Flávio destacou que integra a defesa de Jair Bolsonaro e disse que recorrerá à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para questionar as limitações.
De acordo com o parlamentar, a entidade já foi informada sobre o caso e está sendo formalizado um pedido para que atue em defesa das prerrogativas da advocacia, sob o argumento de que o acesso do advogado ao cliente é um direito garantido por lei.
“A OAB já está ciente e estamos em processo de formalizar isso para que a Ordem também entre nessa questão. Eu quero fazer aqui até uma espécie de desabafo com todos vocês, porque está muito claro que o Alexandre de Moraes quer tirar o meu pai da prisão domiciliar a qualquer custo”, disparou.
Pré-campanha critica decisão
Em nota assinada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, a equipe afirmou que a suspensão das visitas busca tornar Jair Bolsonaro “incomunicável”.
“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, diz o texto.
A nota também afirma que a decisão reforça a percepção de perseguição política contra o ex-presidente e seu grupo político.
“Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”, afirma a manifestação.
Os aliados do senador também compararam a situação com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que esteve preso. Segundo a pré-campanha, Lula recebeu visitas, divulgou cartas, concedeu entrevistas e participou do debate político por meio de manifestações públicas.
“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei”, conclui a nota.
Com a decisão de Moraes, Flávio Bolsonaro ficará impedido de visitar o pai até 11 de outubro, uma semana após o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Caso haja segundo turno, a votação está prevista para 25 de outubro.















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