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Lula orientou voto contrário a projeto de Derrite, dizem fontes

Foto: Reprodução/Gov.br

Ainda durante a votação do PL Antifacção, na Câmara dos Deputados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado a partidos de esquerda e avisou aos líderes do governo: todos os aliados deveriam votar para rejeitar, sumariamente, o substitutivo do relator, Guilherme Derrite (PP-SP).

 

A informação foi confirmada pela CNN com fontes próximas ao presidente. Elas afirmam que Lula ficou irritado com a presença dos governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), na reunião de líderes que antecedeu a votação.

 

A imagem de Castro e Caiado ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi interpretada pelo Planalto como uma afronta ao presidente da República.

 

Deputados ouvidos pela CNN relataram terem sido surpreendidos. Eles afirmam que Castro assumiu uma postura mais reservada, com uma defesa mais sucinta do projeto. Já Caiado teria insistido no trecho que equipararia organizações criminosas ao terrorismo.

 

Apesar de contrários ao projeto de Derrite, deputados da base saíram da reunião cogitando votar a favor da proposta, com ressalvas apenas sobre pontos criticados pelo governo. Por exemplo: a destinação de recursos a fundos estaduais, o perdimento de valores arrecadados com o crime organizado e a criação de uma lei autônoma para temas já previstos na Lei de Organizações Criminosas.

 

Esses mesmos deputados ouvidos pela CNN admitem que pesou na avaliação inicial a repercussão de grande parte do eleitorado. A ideia, porém, foi interrompida logo que chegou a orientação de Lula para que todos os governistas votassem contra o projeto de Derrite.

 

Ainda na terça (18), a ministra Gleisi Hoffmann (PT) chamou o texto do secretário de segurança de Tarcísio de “lambança legislativa”. Nesta quarta (19), o próprio Lula disse que a proposta, como está, enfraquece o combate ao crime e gera insegurança jurídica. A expectativa agora é conseguir emplacar alterações no Senado.

 

“É importante que prevaleça no Senado o diálogo e a responsabilidade na análise do projeto para que o Brasil tenha, de fato, instrumentos eficazes no enfrentamento às facções criminosas”, disse o presidente.

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